Operação do 2º Baep no Morro do José Menino encontra fuzil e grande quantidade de drogas; fuga de suspeito reforça desafio da PM em áreas dominadas pelo tráfico
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| Fuzil de uso restrito e mais de 25 kg de drogas foram apreendidos no Morro do José Menino, em Santos, durante ação do 2º Baep. Foto: Divulgação/Polícia Militar. |
Uma operação do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), realizada na última sexta-feira (3), no Morro do José Menino, em Santos, trouxe à tona mais um retrato preocupante da força e da estrutura do tráfico de drogas nas comunidades da Baixada Santista. Durante a ação, os policiais apreenderam um fuzil de uso restrito e mais de 25 quilos de entorpecentes, evidenciando a dimensão do poder paralelo que desafia diariamente as instituições de segurança pública.
De acordo com o relato policial, a equipe realizava patrulhamento de rotina quando um homem, ao perceber a presença da viatura, tentou fugir pelas escadarias do morro carregando uma mochila. A perseguição não teve êxito, mas a fuga levou os agentes até uma residência da qual emanava um forte odor de maconha. O cão farejador Hórus, do Canil do 2º Baep, indicou positivamente o imóvel, confirmando as suspeitas.
Sem resposta ao chamado da equipe, os policiais decidiram entrar na casa, onde encontraram um fuzil calibre 5,56 mm, da marca Taurus, modelo T4, acompanhado de um carregador com seis munições intactas — armamento de uso exclusivo das Forças Armadas e das polícias. Em outro cômodo, havia tabletes e porções de maconha a granel, somando 25,7 quilos, além de 601 gramas de cocaína pronta para venda.
O material foi apreendido e encaminhado ao 2º Distrito Policial de Santos, onde a ocorrência foi registrada. O suspeito que fugiu ainda não foi localizado.
A operação, embora bem-sucedida na apreensão de drogas e armamento pesado, escancara a complexa realidade de morros e comunidades da região, onde o tráfico impõe suas próprias regras, transformando áreas residenciais em depósitos de entorpecentes e pontos de apoio logístico para o crime organizado. A presença de um fuzil de uso restrito, em especial, é um símbolo alarmante: mostra que as fronteiras entre o crime comum e as estruturas bélicas do narcotráfico estão cada vez mais tênues.
Enquanto o poder público insiste em ações pontuais, a criminalidade segue enraizada e adaptável, mostrando-se sempre um passo à frente. A apreensão no José Menino é um lembrete contundente de que o enfrentamento à violência urbana exige mais que operações — demanda políticas de segurança integradas, inteligência policial contínua e, sobretudo, vontade política real para resgatar o controle do território.


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