Vila Edna: Ambulância foi bloqueada por aglomeração ilegal e adolescente de 16 anos morre após desespero de pai para furar multidão e buscar resgate
![]() |
| Registro de aglomeração intensa durante baile funk na Vila Edna, cenário que se repete e dificulta a circulação de serviços de emergência no bairro. Foto: Reprodução. |
A madrugada de Natal na Vila Edna, em Guarujá, transformou-se em um cenário de horror e desespero que expõe a impotência do poder público diante da desordem urbana. O que deveria ser uma celebração tornou-se o palco da morte de um adolescente de 16 anos, em um episódio marcado pela omissão das autoridades e pelo bloqueio de vias por eventos clandestinos que, mais uma vez, desafiaram a lei e a segurança na Baixada Santista.
O jovem pilotava uma motocicleta Honda XRE pela Avenida Prefeito Raphael Vitiello quando colidiu com outro veículo que realizava uma manobra de retorno. O impacto foi violento, mas a verdadeira tragédia começou após a colisão. Acionada com urgência, a ambulância do Samu foi impedida de chegar ao local do acidente. A via estava completamente tomada por um baile funk, uma aglomeração densa e ilegal que ignorou a sirene de emergência e impossibilitou o acesso dos médicos ao ferido.
Diante do imobilismo das forças de segurança em dispersar a multidão e garantir o corredor de socorro, o pai da vítima tomou uma medida extrema. Sob o olhar de centenas de frequentadores e ao som alto do evento, ele carregou o próprio filho nos braços por diversos metros, atravessando o bairro a pé até encontrar a equipe de resgate que aguardava na entrada da comunidade.
O esforço heroico e agonizante do pai, contudo, não foi suficiente para vencer o tempo perdido devido ao bloqueio da via. O adolescente deu entrada no Hospital Santo Amaro já sem sinais vitais. Enquanto a família enfrentava a perda, a segunda motocicleta envolvida no acidente fugiu do local e não foi identificada, evidenciando a falta de controle e fiscalização que impera nessas concentrações.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Guarujá como homicídio culposo na direção de veículo automotor. O episódio deixa um rastro de indignação e questionamentos sobre a eficácia da polícia e do poder público, que permitem que aglomerações ilegais se sobreponham ao direito básico de sobrevivência e ao livre acesso de serviços de emergência, transformando bairros inteiros em zonas de exclusão da ordem e do respeito à vida.


0 Comentários