Enquanto o Estado celebra o reajuste das outras forças, o policial penal é jogado na cela do esquecimento pelo Palácio dos Bandeirantes
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| Policial penal de costas observando o pátio de uma unidade prisional, representando o isolamento da categoria diante das decisões do governo estadual. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
No jogo de xadrez da segurança pública paulista, o governo estadual acaba de dar um xeque-mate na dignidade de quem segura o rojão dentro das muralhas. No último dia 31 de março, a Assembleia Legislativa selou o destino do Projeto de Lei 226/2026: 10% de aumento para as polícias Civil e Militar, e o silêncio absoluto para a Polícia Penal.
Na prática, o Estado assinou um atestado de que existe uma hierarquia de importância entre quem porta o distintivo, deixando o operador do sistema prisional na última prateleira da prioridade governamental.
Na Baixada Santista, onde o clima das unidades é de panela de pressão constante, a exclusão soa como um tapa na cara de quem exerce a função mais insalubre, perigosa e psicologicamente devastadora de todas. O policial penal faz o trabalho sujo que a sociedade finge não ver e que os políticos só lembram em época de rebelião.
É a categoria que lida com o crime organizado face a face, sem o glamour das sirenes ou o suporte das câmeras de TV, mas que, na hora do reconhecimento financeiro, é tratada como um apêndice descartável da administração.
A justificativa técnica de que houve uma reestruturação prévia é uma cortina de fumaça que não esconde a realidade: a inflação não escolhe distintivo e o custo de vida não dá trégua para quem trabalha no cárcere.
Rejeitar a inclusão da Polícia Penal nesse reajuste é mais do que uma decisão orçamentária; é uma demonstração de desprezo por profissionais que garantem que o esforço das outras polícias não seja em vão. Sem uma Polícia Penal forte e valorizada, a segurança pública é apenas um castelo de cartas pronto para desmoronar sobre a cabeça de todos.


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