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Justiça suspende demolição de quiosques de madeira na orla de Mongaguá

Decisão liminar mantém atividades de comerciantes e condiciona continuidade à comprovação de regularidade das permissões de uso

Quiosques de madeira na orla de Mongaguá tiveram demolição suspensa por decisão judicial
Quiosques de madeira na orla de Mongaguá tiveram demolição suspensa por decisão judicial. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A Justiça de Mongaguá concedeu liminar a um grupo de 30 comerciantes que atuam em quiosques de madeira na orla do município, impedindo a derrubada das estruturas prevista para começar nesta quarta-feira (1º). A decisão, proferida pelo juiz Renan Teruo Suzuki Kito, da 1ª Vara Cível, atende a um pedido que questiona a condução do processo de reurbanização da orla e a ausência de informações concretas sobre o projeto apresentado pela Prefeitura.

Pelo cronograma estabelecido pelo Executivo municipal, os quiosqueiros deveriam encerrar suas atividades até esta terça-feira (31), com início imediato da demolição no dia seguinte. No entanto, ao analisar o caso, o magistrado destacou que, embora haja menção a um projeto de reurbanização em fase final desde dezembro de 2025, não há comprovação de sua conclusão ou detalhamento público às vésperas do prazo limite. Segundo a decisão, essa lacuna compromete a justificativa utilizada para a retirada dos comerciantes.

A liminar determina que o Município prorrogue a validade das permissões de uso concedidas com base em decreto municipal de outubro de 2025, até a efetiva conclusão do projeto de readequação da orla. A continuidade das atividades, contudo, depende de que cada permissionário comprove individualmente a legalidade da ocupação e a titularidade da autorização.

Até o início da tarde de segunda-feira (30), a Prefeitura de Mongaguá informou não ter sido oficialmente intimada da decisão. Em nota, a Administração afirmou que, após a notificação, a Procuradoria do Município avaliará as medidas cabíveis, incluindo eventual recurso.

O impasse ocorre em meio ao projeto de revitalização da orla, que prevê mudanças na estrutura e organização dos quiosques. Segundo a Prefeitura, as permissões de uso concedidas originalmente em 1999 tinham caráter precário e validade de 25 anos, já encerrada. A gestão municipal também cita a necessidade de adequação à Lei nº 14.133/2021, que estabelece regras para uso de bens públicos, com exigência de critérios como transparência e isonomia.

A Administração sustenta que a proposta busca melhorar a infraestrutura turística e disciplinar práticas comerciais na faixa de areia, mencionando situações como excesso de mesas, uso de som e problemas de limpeza. O prazo para adequação, inicialmente previsto para antes da alta temporada, foi prorrogado para março de 2026.

Mongaguá possui cerca de 13 quilômetros de orla e 204 quiosques, sendo 145 de madeira. A previsão inicial do Município incluía a demolição de 30 dessas estruturas, apontadas como irregulares, incluindo casos de arrendamento indevido. Como medida transitória, 12 permissionários mais antigos tiveram licenças renovadas por 90 dias.

A decisão judicial mantém, por ora, o funcionamento dos quiosques envolvidos na ação, enquanto o mérito do processo segue em análise.

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