Cidade tem 319 edifícios inclinados, 65 em situação mais acentuada, e agora encara a conta pesada de um problema que atravessa décadas na orla santista
Santos convive há décadas com um problema que virou paisagem, mas agora aparece com preço de susto: realinhar cada prédio torto da cidade pode custar entre R$ 7 milhões e R$ 22 milhões.
O drama urbano atinge 319 edifícios com algum grau de inclinação. Desse total, 65 estão em situação mais acentuada, com inclinação que pode chegar a 2,2 graus. Quase todos ficam na orla, justamente na faixa mais valorizada e simbólica da cidade.
A origem do problema não nasceu ontem. Ela vem do avanço imobiliário dos anos 1950, quando o solo arenoso da Baixada Santista e fundações insuficientes deixaram marcas profundas na verticalização de Santos. Décadas depois, a conta chegou alta, pesada e sem solução simples.
Apesar do impacto visual, os prédios monitorados não apresentam risco imediato, segundo inspeções estruturais realizadas periodicamente. Mas, para quem mora nesses edifícios, a inclinação não é apenas assunto de engenharia. Ela entra no bolso, na rotina e até dentro de casa.
Elevadores exigem manutenção mais cara. Em alguns casos, a despesa mensal pode chegar a R$ 12 mil. Há relatos de gavetas que abrem sozinhas e água que não escoa direito até os ralos. O que parece curiosidade para quem passa pela praia é transtorno permanente para quem vive ali.
A associação que reúne condomínios de prédios inclinados busca financiamento de longo prazo, com foco no BNDES. O banco aguarda a apresentação formal dos projetos pela Prefeitura de Santos, que terá de detalhar engenharia, orçamento, cronograma e questões jurídicas.
O único caso corrigido até hoje foi o Condomínio Núncio Malzoni, no Boqueirão. A obra levou anos, usou estrutura externa, estacas profundas e recursos dos próprios moradores. Agora, Santos tenta transformar um velho cartão-postal torto em uma obra de correção bilionária em escala urbana.

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