Crime silencioso expôs vulnerabilidade e revolta em ponto conhecido; há suspeita de apoio e omissão de quem viu e não denunciou
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| No escuro forçado, criminosos agiram sem resistência e deixaram rastro de prejuízo em adega conhecida da cidade. Foto: Alberto Presecatan. |
A madrugada caiu — e junto com ela, a luz. No breu total, criminosos aproveitaram o apagão forçado para agir sem testemunha e sem alarde. O alvo: uma adega tradicional na movimentada Avenida Ministro Marcos Freire, na altura da conhecida curva do “S”, em Praia Grande. Quando o dia clareou, o estrago já estava feito.
A energia foi cortada de forma deliberada. Sem iluminação, sem alarme visível, e sem câmeras, o estabelecimento virou presa fácil. Os invasores entraram, vasculharam e saíram carregando o que encontraram de mais valioso — principalmente cigarros e outros produtos de alto giro. A suspeita é de que tenham usado uma van para dar suporte à ação, o que reforça a hipótese de crime planejado, executado com frieza.
Não há, até o momento, confirmação do horário exato da invasão nem detalhes precisos sobre a dinâmica interna do furto. Mas um ponto chama atenção: o local não é isolado, tampouco desconhecido. Pelo contrário. A adega é referência na região, comandada por um jovem casal que construiu, com esforço diário, um comércio sólido — daqueles que sustentam famílias e geram emprego.
O silêncio que envolveu o crime também pesa. Em áreas urbanas densas, dificilmente algo assim passa completamente despercebido. Ainda assim, ninguém viu, ninguém ouviu, ninguém falou. A ausência de denúncia ecoa tanto quanto o corte de energia.
O resultado é um retrato cada vez mais comum: pequenos empreendedores expostos, crimes executados na surdina e prejuízos que não ficam só no caixa — atingem toda uma cadeia que depende daquele comércio para sobreviver. Enquanto isso, a sensação de vulnerabilidade se espalha, sem pedir licença.


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