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Terror doméstico em Santos: empresária rompe silêncio após duas décadas de agressões e ameaças

Vítima relata anos de humilhações, perseguições e medo constante; Justiça concede medida protetiva, mas agressor segue foragido

Mulher de 50 anos rompe ciclo de violência e denuncia marido após 20 anos de agressões psicológicas e ameaças em Santos. Foto: Divulgação/Arquivo/Prefeitura de Santos.

Uma empresária de 50 anos de Santos finalmente quebrou o silêncio e denunciou o marido, de 54, após suportar o que descreve como um verdadeiro “terror psicológico” que se arrastava há cerca de 20 anos. O caso, registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do município, expõe mais um capítulo sombrio da violência doméstica que insiste em se repetir dentro dos lares, mesmo em pleno século XXI.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher relatou ter vivido por décadas sob ameaças, humilhações e perseguições, em uma rotina marcada pelo medo e pela manipulação. Segundo a denúncia, o homem trancava a porta da casa para impedir sua entrada, insultava-a por se recusar a manter relações sexuais e a proibia de manter contato com familiares — um típico ciclo de controle e isolamento, característico de relacionamentos abusivos.

O comportamento violento não se limitava ao ambiente doméstico. A empresária afirmou que também era perseguida e ameaçada em seu local de trabalho, o que configuraria um quadro de violência contínua e deliberada. Em 27 de setembro, depois de mais de duas décadas de convivência sob tensão e medo, ela decidiu procurar as autoridades e registrar a denúncia formal.

A Justiça acatou o pedido de medida protetiva solicitado pela vítima, que agora conta com amparo legal para se manter afastada do agressor. No entanto, até o momento, o suspeito não foi localizado em sua residência, e segue foragido, o que acende o alerta sobre a eficácia das medidas de proteção quando a resposta policial é lenta ou ineficaz.

O caso vem sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher de Santos, unidade especializada no atendimento de vítimas de violência doméstica e familiar. A investigação deve reunir provas e testemunhos que confirmem o padrão de abuso denunciado.

Trata-se de um episódio que evidencia a fragilidade das redes de proteção e o medo que silencia milhares de mulheres. A empresária, como tantas outras, resistiu por décadas, talvez acreditando que o silêncio a protegeria — mas o silêncio, como mostram as estatísticas, costuma ser o maior aliado dos agressores.

Enquanto a Justiça avança, a sociedade santista é novamente confrontada com uma realidade cruel: o lar, espaço que deveria representar abrigo e segurança, segue sendo, para muitas mulheres, o cenário de uma guerra silenciosa e cotidiana.


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