Mal súbito de trabalhador em altura escancara vulnerabilidades nas normas de segurança em manutenções prediais de Santos
Na tarde desta segunda-feira (10), a rotina do bairro Boqueirão, em Santos, foi interrompida por um incidente que acende o alerta para as condições de segurança em trabalhos de altura. Um prestador de serviços, com cerca de 52 anos, ficou pendurado pela corda de segurança na fachada de um edifício na Rua Minas Gerais, após sofrer um mal súbito enquanto realizava a manutenção .
O susto exigiu a mobilização imediata do Corpo de Bombeiros, que enviou três viaturas e sete agentes ao local. O trabalhador desmaiou e permaneceu suspenso na altura do 9º andar, preso apenas pelo cinto.
O desfecho, felizmente sem maiores complicações, ocorreu não pela ação dos profissionais especializados, mas sim pela intervenção espontânea de moradores. Foram eles que, agindo com rapidez e ousadia, conseguiram puxar o homem para uma sacada do prédio, retirando-o da perigosa situação.
Apesar da agilidade e do heroísmo dos vizinhos, a situação levanta questionamentos cruciais:
Por que a intervenção dos moradores foi necessária? A estrutura de segurança e os procedimentos de emergência no local estavam adequados para lidar com um cenário de mal súbito e resgate em altura, conforme a rigorosa Norma Regulamentadora 35 (NR-35), que rege o trabalho em altura?
Houve monitoramento adequado? A presença de um segundo profissional, essencial em muitos casos de trabalho em altura para pronto socorro ou resgate imediato, era garantida?
Quais as condições de saúde do trabalhador? O incidente enfatiza a necessidade de exames médicos ocupacionais (ASO) rigorosos e monitoramento constante da aptidão física para atividades que expõem o profissional a riscos tão elevados.
A vítima foi prontamente atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central. Até o momento, a Prefeitura de Santos não divulgou o estado de saúde do homem.
Este episódio não pode ser tratado apenas como um "acidente de trabalho" isolado. A depender das condições contratuais e da fiscalização, ele pode se configurar em uma falha grave de prevenção, revelando a precariedade ou a falta de atenção à legislação de segurança por parte das empresas contratantes e contratadas. A ação dos moradores evitou o pior, mas a sorte não pode ser a principal ferramenta de segurança no canteiro de obras ou na manutenção predial.


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