Últimas Notícias

8/recent/ticker-posts

Tribunal do crime é interrompido em sítio de Itanhaém, e vítima é resgatada após sessão de tortura

Ação da Polícia Militar Ambiental no Balneário Fênix termina com quatro presos, um morto e escancara avanço de facção em área de ocupação irregular

Polícia Militar Ambiental e PM interrompem tribunal do crime em sítio no Balneário Fênix, em Itanhaém, resgatam vítima amarrada e apreendem armas, facões e veículos usados pelo grupo criminoso. Foto: Polícia Militar Ambiental/Arte: AlCaPreNews.

Uma operação de rotina contra ocupações irregulares em área de mata terminou por revelar, mais uma vez, a atuação de um verdadeiro sistema de “justiça paralela” no litoral sul de São Paulo. Policiais militares ambientais flagraram, na noite de quarta-feira (19), um homem sendo submetido a tortura em um sítio no Balneário Fênix, em Itanhaém. A vítima, amarrada pelas mãos e pelos pés e com diversos ferimentos, seria julgada por um suposto “tribunal do crime”. Quatro suspeitos foram presos, um homem acabou morto após confronto, e armas e veículos foram apreendidos.

De acordo com o 3º Batalhão de Polícia Militar Ambiental, a equipe patrulhava a região em fiscalização contra ocupações ilegais quando identificou vários veículos estacionados dentro de um sítio já considerado suspeito. A movimentação chamou a atenção dos agentes, que decidiram retornar para uma averiguação mais detalhada. Assim que se aproximaram da entrada do imóvel, os policiais foram recebidos a tiros por criminosos que estavam no interior da propriedade.

Os PMs revidaram, pediram reforço da Força Tática e o apoio do helicóptero Águia da corporação. Com os disparos, parte do grupo fugiu em direção a uma área de mata. Um dos suspeitos foi detido ainda dentro da residência, enquanto os demais conseguiram se dispersar. Na sequência, uma varredura conjunta da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental pelo sítio e pela região de mata resultou na prisão de outros três homens e na localização de um quinto suspeito morto entre a vegetação, apontado como um dos envolvidos no confronto armado.

Dentro do imóvel, os policiais encontraram a cena típica de um julgamento clandestino: a vítima estava imobilizada, com mãos e pés amarrados, apresentando múltiplos ferimentos compatíveis com agressões e tortura. Também foram apreendidos facões, utilizados para ameaças e lesões, além de uma pistola e cinco veículos que teriam sido usados pelo grupo. Segundo a corporação, um dos detidos foi identificado como “disciplina” do Primeiro Comando da Capital (PCC), figura responsável por impor as regras da facção e executar punições em nome da organização criminosa.

A ação da Polícia Militar Ambiental, embora eficaz e decisiva para salvar uma vida, evidencia outro problema: muitas vezes o enfrentamento a esse tipo de prática depende de flagrantes fortuitos, em operações que originalmente sequer tinham a segurança pública como foco principal.

Enquanto o poder público não avança em políticas integradas de segurança, inteligência e ocupação ordenada do território, a população segue entre o medo de denunciar e o risco de conviver com a normalização de uma justiça paralela, rápida, violenta e sem qualquer direito de defesa.


#Itanhaem #BalnearioFenix #TribunalDoCrime #PCC #PoliciaMilitar #PMAmbiental #SegurancaPublica #LitoralDeSP #BaixadaSantista #AlCaPreNews

Postar um comentário

0 Comentários