Entidade diz que cálculo inclui reajustes de 2022/23, cita perdas para a inflação e reacende debate sobre falta de efetivo
O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) contestou, em nota divulgada na última sexta-feira (20, a informação apresentada pelo governo estadual de que policiais civis e militares teriam acumulado reajuste salarial de 45,2% entre 2022 e 2025. Segundo a entidade, o percentual divulgado cria uma leitura equivocada sobre a política de valorização da categoria porque soma índices concedidos em administrações diferentes.
A referência ao 45,2% consta de material apresentado em 24 de novembro, durante reunião do governador Tarcísio de Freitas com associações ligadas às forças policiais, no Palácio dos Bandeirantes, e posteriormente publicado em canais oficiais do Estado. Na ocasião, o governo divulgou também dados sobre contratações e outras medidas voltadas à área de segurança.
De acordo com o Sindpesp, cerca de 20 pontos percentuais do índice divulgado se referem a reajustes de 2022, antes do início da atual gestão, o que, na avaliação do sindicato, “infla” o resultado atribuído ao governo atual. Assim, sustenta a entidade, o acumulado efetivamente implementado entre 2023 e 2025 ficaria em torno de 25%.
A presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares, detalhou que, para delegados, em 2023 o aumento teria variado entre 14,27% (classe especial) e 20,7% (3ª classe); em 2024, segundo ela, não houve concessão de percentual; e, em 2025, houve reajuste linear de 5% para o funcionalismo estadual. A dirigente sindical também aponta que a inflação do período teria gerado perdas reais de remuneração.
O embate ocorre em meio a críticas das entidades representativas sobre salários e carreira na Polícia Civil. O Sindpesp afirma que delegados de São Paulo ocupam a 24ª posição em comparação com outras unidades da federação e sustenta que a defasagem salarial permanece elevada. Para a Baixada Santista, onde a demanda por policiamento e investigações convive com pressões típicas de área portuária e turística, a discussão sobre remuneração e atratividade da carreira costuma ser associada, por sindicatos e profissionais, à dificuldade de reposição de quadros e à rotatividade em unidades locais.


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