Falhas na custódia teriam ocorrido desde 2019; sumiço foi detectado após reapreensão de arma que constava como guardada
![]() |
| Corregedoria investiga desaparecimento de armas apreendidas custodiadas em cofre de delegacia. Foto: Ilustração/Reprodução. |
A Corregedoria da Polícia Civil investiga como 52 armas de fogo desapareceram do cofre da Delegacia de Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo. As apurações preliminares apontam que os desaparecimentos podem ter ocorrido ao longo de anos, desde 2019, e o caso veio à tona após a reapreensão de um armamento que, nos registros, constava como custodiado pela unidade desde 2017.
Segundo o registro interno do distrito, a irregularidade foi identificada quando uma arma vinculada à guarda do local voltou a circular e foi apreendida novamente em uma ocorrência em 7 de julho do ano passado, em Pirituba, na zona norte da capital. A reaparição do item motivou pedidos formais de esclarecimento e abriu caminho para a conferência do material armazenado.
Conforme descrito pela própria delegacia, o Núcleo Correcional de Taboão da Serra encaminhou, em dezembro do ano passado, um ofício solicitando informações sobre uma pistola calibre .40 da marca Taurus. A partir da requisição, policiais realizaram uma varredura na unidade, mas não localizaram a arma no cofre. Na sequência, a Polícia Militar também enviou ofício requisitando a entrega de outra pistola, igualmente calibre .40, pertencente à corporação. O armamento também não foi encontrado.
Diante do que o documento classifica como “gravidade das informações”, a delegacia promoveu uma conferência completa do cofre. Foi nesse momento que se constatou o desvio de 52 armas. O total corresponde a 15,6% das 332 armas de fogo apreendidas em Itapecerica da Serra entre 2019 e 2025, de acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) citados no levantamento.
A investigação correcional prevê o interrogatório de delegados que passaram pela cidade — titulares e seccionais — além de policiais lotados na região desde 2019, somando cerca de 20 depoimentos. A apuração busca reconstituir rotinas de guarda, acesso, conferência e movimentação do material, além de identificar eventuais responsabilidades administrativas e criminais.
O caso repercute para além da Região Metropolitana por envolver o controle de armas apreendidas, ponto sensível em qualquer território. Em áreas como a Baixada Santista, onde operações policiais e apreensões de armamentos são frequentes, o episódio reforça a relevância de protocolos rígidos de custódia e auditoria para impedir que itens retirados de circulação retornem às ruas.


0 Comentários