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Hospital Irmã Dulce entra em nova turbulência: trabalhadores ficam sem reajuste e denúncias expõem crise nos bastidores

Dissídio coletivo segue fora dos contracheques, funcionários relatam sobrecarga, falta de equipamentos e problemas estruturais no maior hospital público de PG

Funcionários do Hospital Irmã Dulce denunciam falta de reajuste salarial, atraso em férias e dificuldades estruturais em meio ao impasse entre a Prefeitura e a entidade gestora
Funcionários do Hospital Irmã Dulce denunciam falta de reajuste salarial, atraso em férias e dificuldades estruturais em meio ao impasse entre a Prefeitura e a entidade gestora. Foto: Reprodução.

A crise que ronda o Complexo Hospitalar Irmã Dulce ganhou mais um capítulo e agora atinge diretamente o bolso dos trabalhadores. Profissionais da unidade seguem recebendo salários sem o reajuste previsto no dissídio coletivo da categoria, enquanto férias também estariam sendo pagas com atraso.

O impasse ocorre mesmo após a Prefeitura de Praia Grande afirmar que realizou o repasse integral dos recursos destinados à organização social Biogesp, responsável pela gestão do hospital. Diante da situação, o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde passou a questionar a destinação dos valores e cobra esclarecimentos sobre o pagamento dos direitos dos funcionários.

Nos corredores da unidade, o clima é de desgaste. Trabalhadores ouvidos sob condição de anonimato relatam uma rotina marcada pela pressão crescente e pela falta de pessoal para atender a demanda de pacientes. Segundo os relatos, equipes trabalham sobrecarregadas em diversos setores do hospital.

As queixas não param na folha de pagamento. Funcionários também apontam dificuldades estruturais dentro da unidade, citando escassez de cadeiras de rodas, macas com problemas de manutenção e até leitos improvisados em áreas que deveriam oferecer melhores condições de isolamento e atendimento.

O cenário se soma a uma disputa administrativa já instalada entre a Prefeitura e a entidade gestora. Em abril, a administração municipal abriu um processo para investigar possíveis irregularidades na execução do contrato do hospital. A apuração pode resultar até mesmo na rescisão unilateral do acordo firmado com a organização social.

Enquanto isso, rumores sobre uma possível paralisação chegaram a circular nas redes sociais. O sindicato, porém, descartou qualquer greve neste momento e informou que uma medida desse porte só poderia ser discutida e aprovada em assembleia pelos trabalhadores.

Em nota, a Biogesp afirmou que nunca se recusou a pagar o reajuste salarial. A entidade sustenta que depende de complementação financeira do poder público para viabilizar o pagamento retroativo do dissídio e atribui a controvérsia à ausência do repasse integral dos recursos necessários para cumprir a obrigação.

Entre versões divergentes, investigações em andamento e trabalhadores aguardando respostas, a crise do Irmã Dulce continua aberta — e seus reflexos seguem sendo sentidos dentro de um dos principais hospitais da Baixada Santista.


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