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Demolições em área protegida reacendem conflito judicial e social em Peruíbe

Retomada de ações do Estado na Barra do Una ocorre sob questionamentos jurídicos e mobiliza moradores em meio a cenário de erosão costeira

Imóveis na Barra do Una são alvo de demolições em área de preservação ambiental em Peruíbe
Imóveis na Barra do Una são alvo de demolições em área de preservação ambiental em Peruíbe. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A retomada das demolições de imóveis na Vila Barra do Una, em Peruíbe, voltou a intensificar a tensão entre moradores e o Governo do Estado de São Paulo. A ação ocorreu no último dia 18, dentro de uma área classificada como Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), integrante do Mosaico de Unidades de Conservação Juréia-Itatins. O episódio ganha relevância por envolver uma disputa judicial em curso, agravada pelo histórico recente de intervenções públicas na mesma localidade, marcada pelo avanço do mar e processos de erosão costeira.

De acordo com relatos de moradores, máquinas foram utilizadas para a demolição de residências, incluindo um imóvel pertencente à família da empresária Thayene Barros, que afirma deter a posse da propriedade há mais de quatro décadas, período anterior à criação da unidade de conservação. Segundo ela, a ação ocorreu mesmo diante de uma liminar expedida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que suspenderia qualquer medida dessa natureza até o julgamento definitivo do caso.

A moradora relata que havia bens pessoais no interior do imóvel no momento da demolição e sustenta que não houve tempo hábil para retirada dos pertences. A situação, segundo ela, amplia o sentimento de insegurança entre famílias da região, diante da possibilidade de novas intervenções.

Em nota oficial, a Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), afirmou que a ação teve como base o cumprimento de ordem judicial específica para demolição de imóvel classificado como ocupação irregular. O órgão destacou que a propriedade não integra o território de comunidade tradicional reconhecida e já havia sido incorporada ao patrimônio público estadual por decisão judicial anterior. Ainda segundo a Fundação, a operação ocorreu de forma pacífica e em imóvel desocupado, seguindo os parâmetros legais vigentes.

O cenário ganha contornos mais complexos diante da atuação recente do Ministério Público. Em manifestação datada de 20 de março, o órgão solicitou a interrupção imediata de quaisquer demolições na vila e requisitou esclarecimentos formais sobre a ação realizada. O documento prevê, inclusive, a aplicação de multa diária e responsabilização pessoal em caso de descumprimento da determinação.

Além disso, o Ministério Público também cobra explicações sobre uma demolição ocorrida em março de 2025, questionando sua realização diante da existência de medida liminar que, à época, também restringiria esse tipo de intervenção.

A situação na Barra do Una expõe um contexto em que medidas de preservação ambiental, decisões judiciais e a permanência de moradores se entrelaçam em um cenário de instabilidade. Nos últimos meses, a mesma região foi alvo de uma operação estadual para contenção do avanço do mar, com a instalação de estruturas de pedras para proteger imóveis ameaçados pela erosão, evidenciando a complexidade das ações públicas no local.

Enquanto os desdobramentos jurídicos seguem em curso, moradores aguardam definições que impactam diretamente a permanência na área e a segurança patrimonial, em um território onde decisões administrativas e judiciais continuam a se sobrepor.


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