Cristen Charles criticou perdas de receita, falta de leitos e prioridades do Estado; Gilmaci Santos reagiu, chamou o vereador de irresponsável e disse que, naquele momento, quem mandava ali era ele
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| Audiência pública em Peruíbe terminou em tensão após embate entre vereador e deputado estadual durante discussão sobre o orçamento paulista. Foto: Reprodução. |
A audiência pública que deveria discutir o Orçamento do Estado para 2027 virou um retrato duro da política feita de peito estufado, microfone quente e pouco ouvido para quem cobra explicação em nome da cidade.
Na manhã desta sexta-feira (24), dentro da Câmara de Peruíbe, o vereador Cristen Charles, o Cristen na Mira, quase foi retirado do plenário pela Polícia Militar após bater de frente com o deputado estadual Gilmaci Santos, líder do Governo na Assembleia Legislativa e presidente da audiência.
O clima pesou quando Cristen usou sua fala para apontar o que classificou como impacto de isenções fiscais estaduais na arrecadação do município. Segundo ele, Peruíbe teria perdido R$ 19 milhões em 2025. O vereador também citou o déficit de 1.770 leitos hospitalares na região e criticou a prioridade dada pelo Estado a pórticos de pedágio.
A resposta de Gilmaci veio mais tarde, já por volta do meio-dia. O deputado negou que houvesse renúncia fiscal e defendeu que os benefícios concedidos a setores econômicos poderiam baratear produtos essenciais, como itens da cesta básica. Cristen rebateu com uma frase curta e atravessada: “Vá fazer média em outro lugar”.
Foi aí que a audiência deixou de parecer debate público e ganhou cara de confronto institucional. Gilmaci chamou o vereador de irresponsável, acionou policiais militares e afirmou que, naquele momento, a Casa era a Assembleia Legislativa. Disse ainda que quem mandava ali era ele.
A reação ecoou nas galerias, onde houve protestos. O prefeito Felipe Bernardo tentou conter os ânimos enquanto Cristen conversava com um policial. Depois, a União dos Vereadores da Baixada Santista divulgou nota de repúdio à postura do deputado.
No fim, a cena deixou uma pergunta atravessada no plenário: quando a população manda seus representantes cobrarem respostas, a política responde com diálogo ou chama a polícia?

*Proibida a reprodução total ou parcial, sem autorização prévia do editor. Lei nº 9610/98*

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