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PMs viram cobradores do crime e cobram “mensalinho” de tráfico no interior

Doze policiais são investigados por extorsão sistemática em biqueiras; dinheiro, droga desviada e ameaças entram no pacote

Viatura e dinheiro: investigação aponta esquema de cobrança semanal em pontos de tráfico
Viatura e dinheiro: investigação aponta esquema de cobrança semanal em pontos de tráfico. Foto: Reprodução.

Uma engrenagem silenciosa, montada dentro da farda, começou a ruir. Doze policiais militares estão no radar da Corregedoria suspeitos de transformar pontos de venda de drogas em fonte fixa de arrecadação ilegal no interior paulista. O esquema, segundo a investigação, funcionava com método: abordagem, apreensão e, na sequência, a cobrança para que tudo continuasse como antes — só que pago.

Os relatos apontam para uma rotina de pressão. Após flagras em biqueiras, agentes voltavam ao local não para prender, mas para negociar. O valor tinha tabela: podia chegar a R$ 6 mil por semana em um único ponto. Em outros casos, cifras menores, entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, fechavam acordos rápidos. Sexta-feira era dia de acerto. Lugares isolados, próximos à rodovia, serviam de cenário para a entrega do dinheiro.

No centro dessa engrenagem, um 1º sargento aparece como figura-chave. Ele surgiria nas abordagens que viravam negociação e, depois, cobrança fixa. Ao redor, outros policiais com funções definidas: quem fazia o contato, quem recolhia o dinheiro, quem sustentava a pressão. Um dos cabos, segundo os depoimentos, usava carro particular para buscar os valores com intermediários do tráfico.

O inquérito também descreve outro movimento: droga apreendida que não chegava ao destino oficial. Parte do material, avaliado em milhares de reais, teria sido retido e, depois, usado como moeda nas negociações. Em paralelo, surgem acusações de agressões, ameaças e até tentativa de silenciar testemunhas dentro de hospital.

Há indícios de que o mecanismo funcione há anos. A identificação formal veio agora. Mandados foram cumpridos e o caso segue sob sigilo. No papel, são suspeitas ainda em apuração. Nos bastidores, um sistema inteiro sob suspeita de ter cruzado a linha.


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