Atracação emergencial foi liberada para tentar segurar o abastecimento no estado após abalo no mercado global provocado pela tensão no Oriente Médio
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| Navio com 20 mil toneladas de gasolina recebeu prioridade para atracar no Porto de Santos diante do risco de desabastecimento no estado de São Paulo. Foto: Reprodução. |
O Porto de Santos teve de furar a rotina e abrir espaço com prioridade para um navio carregado com cerca de 20 mil toneladas de gasolina. A medida, autorizada em caráter emergencial pela Autoridade Portuária de Santos, escancara o tamanho da pressão que a crise internacional passou a impor sobre o abastecimento em São Paulo.
A embarcação MH Ibuki recebeu sinal verde para atracar com preferência depois de um pedido apresentado por uma distribuidora e da confirmação de que havia risco real de desabastecimento no estado. No centro da decisão está a instabilidade no mercado global de combustíveis, agravada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Com o cenário externo pressionado e reflexos na logística internacional, o volume trazido pelo navio ganhou peso estratégico. A carga equivale a aproximadamente 600 caminhões-tanque, dimensão que ajuda a explicar por que a operação foi tratada como prioridade dentro do maior porto do país.
A liberação, no entanto, não ocorreu de forma automática. A Diretoria de Operações da autoridade portuária sustenta que esse tipo de preferência só é concedido quando há risco comprovado de falta do produto. O argumento é que a fila não pode virar atalho permanente, sobretudo em um setor sensível e de alto impacto econômico.
Esse filtro ficou evidente em um caso recente: outro pedido de prioridade para combustível acabou negado porque já havia seis navios com a mesma carga aguardando vez. Pela regra adotada, uma carga não pode passar por cima de outra da mesma categoria sem justificativa concreta de urgência.
Enquanto isso, Santos permanece atento aos reflexos de uma crise que nasce longe, mas bate direto no bolso, na bomba e na rotina de milhões de pessoas. A expectativa agora é de que o cessar-fogo acordado na segunda-feira (7), segure a turbulência e alivie a pressão sobre a economia e o abastecimento.


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