MP afirma ter reunido provas de esquema envolvendo servidores comissionados e pede condenação de parlamentar por improbidade administrativa
Uma ação do Ministério Público de São Paulo colocou um vereador de São Vicente no centro de um caso que pode mudar a composição da Casa. O parlamentar Thiago Alexandre da Silva, conhecido como Professor Thiago Alexandre (PSD), é acusado de comandar um suposto esquema de rachadinha no período em que presidiu a Câmara Municipal, entre 2021 e 2022. A Promotoria pede sua condenação por improbidade administrativa.
Segundo a investigação, assessores comissionados do gabinete eram obrigados a devolver parte dos salários recebidos da Câmara. Outras cinco pessoas também são apontadas como participantes das irregularidades investigadas.
O caso ganhou força após denúncias encaminhadas à Promotoria, acompanhadas de áudios e documentos que deram origem às apurações. Com a quebra do sigilo bancário dos investigados, o Ministério Público afirma ter encontrado movimentações financeiras compatíveis com a suspeita de desvio dos vencimentos pagos pelo Legislativo.
Um dos episódios destacados na ação chama atenção pelos valores. De acordo com os autos, um assessor recebeu R$ 62.380,05 em salários entre dezembro de 2021 e abril de 2022. Nesse mesmo intervalo, teria transferido R$ 54.575 para uma pessoa apontada como de confiança do vereador, montante que corresponde a cerca de 87% do total recebido.
Entre as provas reunidas pela investigação está um contrato assinado que, segundo o Ministério Público, condicionaria a nomeação para o cargo de assessor legislativo ao repasse de parte da remuneração ao parlamentar.
Ao analisar o caso, o juiz Leonardo de Mello Gonçalves entendeu que os relatórios financeiros, as movimentações bancárias e os documentos anexados apresentam elementos suficientes para justificar o prosseguimento da ação. Os investigados negaram qualquer irregularidade durante os depoimentos.
Professor Thiago Alexandre retornou nesta semana à Câmara de São Vicente. Desde 2024, ocupava o cargo de subprefeito da Área Continental, função que deixou após a divulgação da ação judicial.

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