Sem testes de longa duração, aumento do etanol na gasolina levanta dúvidas sobre desgaste de motores antigos, importados e modelos movidos apenas a gasolina
![]() |
| Novo aumento da mistura de etanol na gasolina gera preocupação sobre possíveis impactos em motores antigos, importados e modelos movidos apenas a gasolina. Foto: Reprodução. |
A gasolina vendida nos postos brasileiros ganhou uma nova composição, mas a mudança já provoca apreensão entre especialistas do setor automotivo. O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro de 30% para 32% entrou em vigor sem que fossem realizados testes de durabilidade capazes de medir os efeitos do combustível após meses ou anos de uso.
O receio está concentrado em uma parcela da frota nacional formada por veículos movidos exclusivamente a gasolina. Carros antigos, motocicletas carburadas, modelos importados e alguns veículos de alta performance ou híbridos podem sentir os impactos do novo combustível ao longo do tempo, principalmente em componentes internos do motor sujeitos à corrosão e ao desgaste.
Embora cerca de 80% dos veículos brasileiros sejam flex e estejam preparados para operar até mesmo com etanol puro, aproximadamente 4,7 milhões de automóveis e motocicletas permanecem fora desse grupo. É justamente essa parcela que desperta preocupação entre entidades ligadas à engenharia automotiva.
Segundo representantes do setor, os estudos que embasaram a decisão analisaram apenas se a nova mistura poderia funcionar de forma imediata nos motores, sem investigar como ela se comportará após milhares de quilômetros rodados. Ensaios desse tipo costumam exigir meses de funcionamento contínuo, simulando acelerações, frenagens, partidas e diferentes condições de uso para identificar possíveis falhas.
Outro obstáculo apontado é a enorme variedade da frota brasileira. Cada fabricante utiliza tecnologias, materiais e projetos diferentes, o que impede prever, de forma genérica, quais veículos poderão apresentar problemas. A avaliação completa, afirmam especialistas, dependeria de testes específicos em cada modelo.
Enquanto a nova gasolina passa a fazer parte da rotina dos postos, motoristas que possuem veículos mais antigos ou importados seguem sem uma resposta definitiva sobre os efeitos que a mudança poderá causar no futuro. A principal preocupação permanece justamente onde ainda não há conclusão: a resistência dos motores ao longo dos anos de uso.


0 Comentários