Mensagens interceptadas indicariam uma manobra para direcionar licitações do transporte coletivo; prefeitura nega irregularidades e diz que nenhum servidor é investigado
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| Itanhaém entrou no mapa da Operação Vectura Corrupta após suspeitas de interferência criminosa no transporte coletivo. Foto: Reprodução. |
O Primeiro Comando da Capital (PCC) teria tentado entrar no transporte público de Itanhaém pela porta da licitação. É essa a suspeita explosiva levantada pela Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
A ofensiva mira núcleos ligados à lavagem de dinheiro, à infiltração política e ao avanço da facção sobre empresas de ônibus. Em Itanhaém, o grupo investigado teria planejado interferir em processos licitatórios para abrir caminho e assegurar a vitória de companhias ligadas aos envolvidos.
Parte dos indícios está em mensagens atribuídas a José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz. Os dois são apontados como possíveis laranjas e aparecem nas conversas como sócios da Translider, empresa de transporte com atuação em Cubatão.
O empresário Paulo Siqueira Korek Farias também surgiu no centro do cerco. Segundo a apuração, ele administrava a Translider e seria um suposto testa de ferro da organização criminosa. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.
A Prefeitura de Itanhaém informou que não é alvo da operação e que nenhum servidor municipal recebeu mandado judicial. A administração também afirmou desconhecer o conteúdo das mensagens interceptadas e defendeu a legalidade da concorrência concluída em novembro de 2021, com acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado.
O contrato, válido por 15 anos, foi vencido pela Expresso Fênix. Em 2024, o serviço passou para a Sancetur, que opera sob a marca Sou Transporte. Segundo o município, nenhuma das 12 empresas citadas na investigação participou daquela disputa ou de etapas posteriores.
A prefeitura declarou não ter encontrado irregularidades no contrato e descartou uma nova licitação neste momento. Outro processo está previsto apenas para 2036 — ou para 2051, caso a concessão seja prorrogada.
O contrato continua rodando. A investigação também.

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