De Ivete a Alok, festival chega aos dez anos cercado por uma superestrutura; fora dos holofotes, falta de medicamentos e até de papel em unidades de saúde expõe um contraste que remete ao velho “panem et circenses”
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| Praia Grande prepara a 10ª edição do Estação Verão Show para janeiro de 2027; grandiosidade dos eventos contrasta com carências registradas em serviços básicos do Município. Foto: Reprodução. |
Luz, palco, som, camarotes, tecnologia e uma constelação da música brasileira. Praia Grande já prepara uma nova temporada de espetáculo em escala gigante. O Estação Verão Show chega à 10ª edição em janeiro de 2027 com dez noites de apresentações e nomes como Ivete Sangalo, Alok, Ana Castela, Thiaguinho, Jorge & Mateus, Jota Quest, Simone Mendes, Belo e Matuê.
No Kartódromo Municipal, a engrenagem será de festival nacional.
Alguns quilômetros além dos refletores, porém, a realidade perde o brilho.
Apuração desta reportagem aponta que o Omeprazol está em falta há meses na rede municipal de saúde, acompanhado por outros medicamentos necessários à população. Em período recente, Usafas chegaram a enfrentar uma carência ainda mais elementar: faltou papel sulfite.
Não era campanha ambiental. Era falta de papel.
É justamente nesse choque entre a capacidade de levantar uma operação gigantesca de entretenimento e a dificuldade de garantir itens básicos do serviço público que surge uma comparação antiga e incômoda: o “panem et circenses”, o pão e circo da Roma antiga.
A expressão não prova — nem permite afirmar — que os eventos sejam utilizados deliberadamente para desviar a atenção dos problemas municipais. Mas o contraste existe e fala por si.
Enquanto o calendário oficial celebra palco, iluminação, logística, segurança, camarotes e grandes atrações, há moradores que encontram outro cenário quando procuram a rede pública: medicamentos ausentes e necessidades muito menos glamourosas esperando solução.
Também é necessário fazer uma distinção: o Estação Verão Show envolve parceria e captação privada, portanto não se pode simplesmente atribuir ao Município todo o custo de artistas e operação. A própria Prefeitura, porém, participa da estrutura e da organização do evento.
O show pode movimentar turismo, comércio e arrecadação. Pode gerar lazer e projetar a cidade nacionalmente.
A pergunta que sobra fora do palco é mais simples.
Se existe capacidade para fazer o gigante funcionar, por que o básico ainda falha?

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