Fiscalização encontrou lacres violados e dispositivos em cerca da metade dos relógios de prédio comercial; energia furtada daria para abastecer 3.690 casas/mês
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| Fiscalização encontrou ímãs e lacres violados em medidores de prédio comercial em Itanhaém; prejuízo estimado chega a R$ 754 mil. Foto: Divulgação/Neoenergia Elektro. |
A conta é de assustar: R$ 754 mil em energia que, segundo a investigação, deixou de passar corretamente pelos medidores de um prédio comercial no bairro Gaivota, em Itanhaém. No centro do caso está um empresário de 54 anos, autuado por estelionato e furto após uma fiscalização encontrar sinais de adulteração nos equipamentos.
O truque apontado pela polícia era simples e pesado no bolso: ímãs teriam sido colocados em cerca da metade dos medidores para interferir no funcionamento dos relógios e registrar consumo abaixo do real. Os fiscais também encontraram lacres violados nas caixas.
O tamanho da suspeita impressiona. O volume de energia que teria deixado de ser contabilizado seria suficiente para abastecer 3.690 residências durante um mês.
E aí está o detalhe que transforma o velho “gato” em problema para muito mais gente do que apenas a concessionária. Fraudes e furtos entram no cálculo das chamadas perdas não técnicas do sistema elétrico. Dentro dos limites reconhecidos pela regulação, parte dessa conta chega à tarifa paga pelo consumidor regular. Em português claro: quem paga corretamente também sente no bolso a existência desse tipo de fraude.
O empresário foi autuado após comparecer à delegacia. Segundo o registro policial, ele não soube explicar as irregularidades encontradas.
A prisão, porém, não foi mantida. Na audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória e apontou que ainda existem dúvidas, nesta fase da investigação, sobre a autoria ou a responsabilidade pelo prejuízo.
A defesa afirma que o imóvel passou por inventário recente, possui cinco proprietários e que a propriedade do prédio, isoladamente, não permite atribuir responsabilidade criminal ao empresário.
Os medidores foram recolhidos, lacrados e deverão passar por perícia.
Enquanto a investigação procura definir quem efetivamente responde pelo rombo, uma realidade já é conhecida de milhões de consumidores: energia desviada não desaparece por mágica. Em algum ponto do sistema, a conta chega.

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