Paciente com antibiótico prescrito por cinco dias no Quietude teve de escolher entre passar por outra consulta ou ficar sem a aplicação no Samambaia; episódio ocorre em plena nova gestão de quase R$ 21 milhões mensais no Complexo Irmã Dulce
Era para ser apenas a segunda aplicação de um antibiótico. Virou uma peregrinação pela saúde pública de Praia Grande.
Um paciente com infecção urinária, dor e inchaço testicular procurou a UPA Quietude no domingo. Após avaliação médica, recebeu prescrição de um antibiótico de uso hospitalar por cinco dias e tomou a primeira dose na própria unidade.
Na segunda-feira, ainda com dores, decidiu procurar a UPA Samambaia, mais próxima de sua residência, para continuar o tratamento.
Não conseguiu.
A orientação recebida foi de que seria necessária uma nova consulta médica. Só depois dessa reavaliação outro profissional decidiria se manteria ou não o medicamento prescrito no dia anterior.
O paciente recusou repetir a consulta e levou o impasse à Secretaria de Saúde. Uma servidora tentou intermediar a situação, mas a resposta permaneceu a mesma: sem nova avaliação médica no Samambaia, nada de aplicação.
Protocolos nacionais de segurança tratam a passagem de pacientes entre serviços como um ponto crítico e recomendam a conciliação dos medicamentos para avaliar se tratamentos devem ser mantidos ou suspensos. No episódio, porém, essa checagem não ocorreu diretamente entre as unidades. O paciente acabou colocado novamente no início do fluxo assistencial.
O caso ganha peso porque o Samambaia integra o Complexo Hospitalar Irmã Dulce. A antiga gestora, Biogesp, teve o contrato rescindido após mais de 100 notificações relacionadas a irregularidades apontadas pela própria Prefeitura. Em julho, a recém-criada EMPES assumiu o complexo. O contrato prevê quase R$ 21 milhões por mês durante cinco anos.
A Prefeitura também anunciou consultoria especializada para revisar protocolos, fluxos e processos assistenciais do Irmã Dulce.
A nova gestão nasceu prometendo eficiência, integração e continuidade. No balcão, porém, o teste é bem mais simples: fazer uma prescrição emitida dentro da própria rede chegar à unidade seguinte sem transformar o tratamento em mais um problema para quem já chegou doente.

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