Motoristas que pagam uma das tarifas mais caras do país enfrentam tratamento vexatório na praça de pedágio rumo ao litoral paulista
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| Praça de pedágio do Sistema Anchieta-Imigrantes registrou tensão e revolta após episódio de descaso com motoristas. Foto: Reprodução. Arte: Alberto Presecatan. |
O asfalto quente da Rodovia dos Imigrantes guardava uma cena de pura humilhação na tarde desta última terça-feira (03). A poucos metros da cabine de cobrança, com o dinheiro já suado nas mãos para quitar o pedágio obrigatório, motoristas foram surpreendidos por um jato d'água bruto, violento e repentino disparado por uma equipe de manutenção da concessionária Ecovias. Não havia poça para desviar. A água foi arremessada com força total diretamente contra os veículos que aguardavam na fila, atingindo inclusive as próprias operadoras de pista que tentavam realizar o atendimento sob o aguaceiro artificial.
O buzinaço ecoou instantaneamente, transformando a pequena fila de cobrança em um coro de revolta. Diante do caos instalado e dos protestos, nenhum pedido de desculpas veio por parte da equipe. Pelo contrário. Um dos colaboradores, abraçado ao cinismo, limitou-se a rir da situação e gesticulou de forma debochada para que os motoristas fechassem os vidros.
Dentro de um dos carros atingidos, a tensão transformou-se em desespero. A passageira, portadora de uma doença neuromuscular incurável, foi alvo de um susto violento provocado pela surpresa do jato d'água. Sem qualquer aviso prévio ou sinalização de segurança, o episódio desencadeou um pico de pânico e forte abalo emocional na mulher, cujo tratamento exige rigoroso controle de estresse.
A revolta ganha contornos ainda mais graves quando confrontada com a realidade financeira do sistema rodoviário que liga o Planalto ao Litoral. Pagar uma das taxas mais pesadas do Brasil para receber em troca desrespeito operacional e escárnio escancara a vulnerabilidade de quem depende da via.
A sensação generalizada entre os motoristas é de que o monopólio da descida da serra serve de escudo para qualquer descaso, transformando o cidadão em refém de uma prestação de serviço que zombou abertamente de quem mantém a engrenagem bilionária funcionando.


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