Moradores de Praia Grande enfrentam perdas irreparáveis após temporal arrasar o Jardim Alice e provocar danos catastróficos em residências
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| Desolação e desespero: o rastro de destruição deixado pelas chuvas em Praia Grande, SP. Famílias lutam para reconstruir suas vidas após o caos. |
Praia Grande tornou-se palco de um verdadeiro pesadelo para seus moradores. O recente temporal que assolou a região não apenas desencadeou inundações e deslizamentos de terra, mas também deixou um rastro de destruição e desespero nas vidas daqueles que agora se encontram às margens da ruína.
Entre relatos dolorosos, emerge o testemunho de Ivoneide de Souza, uma recepcionista cuja casa, outrora símbolo de segurança e lar, foi transformada em escombros pela força impiedosa das águas. "Deu tempo apenas de salvar a minha filha, minha mãe, meu tio e meu cachorrinho. De resto, perdi tudo", lamenta Ivoneide em meio aos destroços que um dia foram seus pertences.
As histórias de desespero se multiplicam pelas ruas agora tomadas por lamúrias e angústias. Na Rua Lucia Barana, o cenário de desolação é aterrador. O Corpo de Bombeiros, acionado para enfrentar os possíveis deslizamentos de terra, deparou-se com uma paisagem desoladora: imóveis dilacerados, veículos arrastados como peças de brinquedo e famílias desabrigadas clamando por socorro.
Ivoneide relembra com tristeza o momento em que a própria casa se tornou uma armadilha mortal. "São 34 anos que a gente mora no bairro e há 34 anos que a casa está em pé. Já tiveram outros tipos de chuva, mas não nessa catástrofe", desabafa, enquanto contempla o que restou de sua morada, agora reduzida a um amontoado de destroços.
Outra vítima, Kelly da Silva, viu-se obrigada a testemunhar o horror da água invadindo sua casa, elevando-se a níveis aterradores. Com seu filho de apenas 2 anos nos braços e o marido ao seu lado, Kelly implora por um fio de esperança em meio à desolação. "Perdemos tudo, mas graças a Deus, temos a vida. Então, estamos aí. Bola para frente, erguer a cabeça, pedir força para Deus e se erguer", declara, com a voz embargada pelo pesar que a tragédia impôs.
Enquanto as famílias tentam se reerguer em meio ao caos, é impossível não questionar as políticas de prevenção e resposta a desastres naturais em vigor na região. A repetição de tragédias como essa não pode ser encarada como uma mera fatalidade, mas como um sinal de alerta clamando por medidas eficazes e urgentes.
Diante de tantas vidas dilaceradas e sonhos destroçados, resta à comunidade de Praia Grande buscar forças para reconstruir não apenas suas casas, mas também suas esperanças. Que esta seja uma lição aprendida da maneira mais árdua possível: a de que, diante da fúria da natureza, a única resposta é a solidariedade e a prevenção.


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