Criminoso reincidente usava aplicativos de relacionamento para alimentar rede de fraudes emocionais e financeiras, deixando um rastro de dor, dívidas e desconfiança
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| Policiais da DIG cumprem mandado no bairro Campo Grande, em Santos, onde o idoso foi preso por aplicar golpes em mulheres através de aplicativos de relacionamento. Foto: Reprodução/Arquivo. |
O romantismo virtual virou pesadelo real para diversas mulheres que acreditaram nas promessas de amor de um idoso de 70 anos, preso em Santos, no bairro Campo Grande, nesta semana. O homem, que se apresentava como um pretendente apaixonado em aplicativos de relacionamento, não buscava afeto, mas sim dinheiro — muito dinheiro. A Polícia Civil apurou que o golpe ultrapassa R$ 300 mil e pode envolver ocultação de bens e até lavagem de dinheiro.
A prisão foi executada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), após autorização judicial. O suspeito, surpreendido em casa, não resistiu à abordagem. Enquanto era conduzido para a cadeia pública anexa ao 5º Distrito Policial, familiares alegavam problemas de saúde: histórico de AVC, complicações cardíacas e fragilidade pela idade. Mas nem o discurso médico foi suficiente para sensibilizar a Justiça, que decretou prisão preventiva para impedir que novas vítimas caíssem na teia de mentiras do falso romântico.
O juiz responsável pelo caso foi categórico: o idoso é um reincidente contumaz. Já condenado por estelionato em 2018, voltou a atuar com o mesmo esquema em 2024, ignorando decisões judiciais e acumulando processos. As investigações agora avançam para desvendar o fluxo de dinheiro ilícito, levantando a hipótese de que o homem não agia sozinho, mas dentro de uma rede organizada que usava as falsas paixões para movimentar e esconder patrimônio.
O histórico criminal é extenso e perturbador. Desde 1978, o suspeito coleciona quase meio século de registros ligados a fraudes e estelionatos. Ao longo de 47 anos, construiu uma verdadeira carreira no crime, adaptando-se aos tempos: das velhas artimanhas presenciais ao uso sofisticado das plataformas digitais de relacionamento.
Enquanto vítimas se recuperam não apenas do rombo financeiro, mas também do trauma psicológico de terem confundido manipulação com afeto, a prisão soa como alívio tardio.
A polícia segue apurando a extensão dos danos e identificando novas vítimas. O “Don Juan” de fachada, no entanto, agora terá de trocar o conforto da própria casa por grades, onde seu repertório de falsas declarações de amor não deve encontrar plateia disposta a aplaudir.


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