Acidente envolvendo motorista de aplicativo, motocicleta e coletivo escancara caos da mobilidade urbana e a fragilidade dos mais vulneráveis no trânsito
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| Cena da tragédia na Avenida Presidente Wilson, em Santos, onde a jovem perdeu a vida após ser atingida e arremessada sob um ônibus. Foto: Reprodução/Prefeitura de Santos. |
A manhã de segunda-feira (15) foi marcada por uma cena de horror na Avenida Presidente Wilson, no bairro José Menino, em Santos. Uma jovem de apenas 24 anos perdeu a vida de forma brutal após ser arremessada de uma motocicleta e parar sob as rodas de um ônibus intermunicipal da linha 965, operada pela BR Mobilidade. O episódio, que já havia chocado quem presenciou, terminou em tragédia confirmada: a vítima não resistiu aos ferimentos, mesmo após tentativas desesperadas de reanimação por parte do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Segundo informações apuradas, a moto em que a jovem estava na garupa era conduzida por um rapaz de 22 anos. O veículo foi atingido lateralmente por um carro dirigido por um motorista de aplicativo, de 25 anos. O impacto da colisão fez com que a passageira fosse arremessada e lançada justamente para baixo do coletivo que passava no momento — um desfecho cruel que ilustra a engrenagem letal que o trânsito brasileiro se tornou.
O condutor da moto também sofreu ferimentos e foi socorrido, mas sobreviveu. Já a jovem, esmagada pela roda traseira do ônibus, não resistiu, apesar dos esforços das equipes médicas na UPA Central de Santos. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor no 7º Distrito Policial, o que significa que não houve intenção, mas a negligência ou imprudência está sob investigação.
A Prefeitura de Santos informou que o trecho da orla precisou ser parcialmente interditado para a realização da perícia, causando congestionamento em plena manhã. Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) reorganizaram os semáforos e orientaram os motoristas na tentativa de minimizar os transtornos.
A empresa BR Mobilidade, responsável pelo ônibus envolvido, divulgou nota lamentando o episódio e afirmando colaborar com as autoridades. A declaração, no entanto, soa quase protocolar diante da tragédia que expõe um problema muito maior: a convivência cada vez mais caótica entre carros, motos, ônibus e pedestres em vias saturadas, onde a pressa, a disputa por espaço e a falta de cuidado transformam o asfalto em palco de mortes anunciadas.
Enquanto a estatística cresce, famílias choram e vidas são ceifadas em segundos. A morte da jovem é mais um alerta ensurdecedor de que a cidade carece de políticas públicas efetivas para reduzir acidentes, fiscalizar condutores e proteger quem, como ela, jamais imaginava que um simples trajeto pela orla terminaria em tragédia.


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