Doado ao município, o veículo sumiu da garagem oficial sem deixar registros claros; prefeitura aponta falhas graves na apuração da gestão anterior
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| Garagem Municipal de Mongaguá, na Vila Atlântica, onde caminhão-pipa doado ao município desapareceu em fevereiro de 2024. Foto: Reprodução/Prefeitura de Mongaguá. |
A Prefeitura de Mongaguá informou que o corpo jurídico municipal instaurou um levantamento para apurar o furto de um caminhão-pipa ocorrido em 11 de fevereiro de 2024, dentro das dependências da Garagem Municipal, na Vila Atlântica. Avaliado em mais de R$ 400 mil e recebido por doação, o veículo — segundo a Administração — não chegou a ser utilizado e segue registrado nos sistemas municipais com anotação de investigação policial, sem baixa patrimonial.
De acordo com documentos existentes, o Boletim de Ocorrência foi registrado três dias após o desaparecimento. A atual gestão afirma que, embora tenha havido abertura de procedimento interno posteriormente, não foram localizados processos administrativos completos sobre o episódio, nem registros formais de apuração junto ao setor de Patrimônio na época dos fatos — uma cadeia documental que, na prática, dificulta reconstituir a cronologia de decisões, responsabilidades e providências adotadas.
Como parte do levantamento, a Prefeitura informou que pretende convocar comissionados que ocupavam cargos de responsabilidade no período e ouvir servidores que atuavam na Garagem Municipal, buscando esclarecer circunstâncias do furto e identificar eventuais falhas administrativas. No aspecto patrimonial, a Administração aponta que o caminhão-pipa foi adquirido em dezembro de 2022, por meio de doação da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, ao custo superior a R$ 400 mil. Ainda segundo a Prefeitura, o furto teria ocorrido antes da efetiva incorporação do bem à frota municipal, porque não havia, naquele momento, o Termo de Doação, documento que teria sido formalizado apenas posteriormente — circunstância que é mencionada como parte do contexto para a ausência de baixa do bem.
O reaparecimento do caso ocorre em um momento em que Mongaguá enfrenta impactos recentes e relevantes das chuvas. A Prefeitura decretou Situação de Emergência no último dia 21 de janeiro (Decreto nº 7.991), citando precipitações desde dezembro passado, além de danos em equipamentos públicos e prejuízos estimados em mais de R$ 2 milhões, incluindo unidades de ensino afetadas. Nesse cenário, cresce a demanda operacional por resposta rápida do poder público e por capacidade de apoio logístico em ocorrências que envolvem infraestrutura urbana e serviços essenciais.
Na Baixada Santista, temporais recentes também foram associados a intermitências no abastecimento de água em municípios da região, com referência ao reforço por caminhões-pipa em ações emergenciais. É nesse contexto que a ausência de esclarecimentos conclusivos, somada ao intervalo de tempo entre o desaparecimento do veículo e a consolidação de uma apuração administrativa com lastro documental, passa a ser tratada pela Prefeitura como ponto central do levantamento: reconstruir o que foi feito, o que deixou de ser feito e quais providências legais e administrativas serão adotadas.
Moradores que tenham informações sobre o caminhão-pipa desaparecido, movimentações na região da Garagem Municipal à época ou registros (imagens, anotações, relatos) podem encaminhar dados aos canais oficiais da Prefeitura e às autoridades policiais, contribuindo para a identificação do veículo e o esclarecimento do caso.


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