Christiano José Bezerra da Silva, de 58 anos, não compareceu ao interrogatório marcado no 3º Distrito Policial; investigação por maus-tratos segue adiante
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| Imagem de câmera de segurança mostra o momento em que o GCM aposentado puxa a cadela pela coleira dentro do elevador de um condomínio em Praia Grande. Foto: Reprodução/Câmera de segurança. |
O Guarda Civil Municipal (GCM) aposentado Christiano José Bezerra da Silva, de 58 anos, investigado por agredir o próprio cachorro dentro do elevador de um prédio de alto padrão em Praia Grande, não compareceu ao interrogatório marcado para esta segunda-feira (9), no 3º Distrito Policial do município. A oitiva havia sido agendada no âmbito do inquérito que apura o crime de maus-tratos a animal, e o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Martins Lotti, aguardava o comparecimento do investigado, que acabou não se apresentando.
A ausência ocorreu em meio à investigação que ganhou repercussão após a circulação de imagens de câmera de segurança do prédio onde o suspeito reside. As gravações mostram o momento em que o homem desfere socos, chutes e puxões contra a cadela dentro do elevador do condomínio. As agressões ocorreram no dia 27 do mês passado.
De acordo com o delegado Rodrigo Martins Lotti, a identificação do investigado ocorreu após uma denúncia anônima registrada por meio da Delegacia Eletrônica de Proteção Animal. A partir da comunicação, a Polícia Civil requisitou ao condomínio as imagens captadas pelo sistema interno de monitoramento.
"Recebemos uma denúncia anônima via registro online e, a partir disso, requisitamos ao condomínio as imagens do ocorrido. Quando obtivemos essas imagens, foi possível verificar a situação de maus-tratos pela qual o animal passou", explicou o delegado.
Com base no conteúdo das gravações, a Polícia Civil solicitou à Justiça a expedição de um mandado de busca e apreensão para retirar o animal do apartamento do tutor. A medida tinha como objetivo garantir atendimento veterinário e preservar a integridade da cadela enquanto o caso é analisado pelo Poder Judiciário.
Durante o cumprimento da ordem judicial, policiais civis encontraram resistência inicial por parte da esposa do investigado. Segundo relato da autoridade policial, o animal foi colocado em um cômodo da residência e houve questionamento sobre a retirada.
"A princípio, ela guardou o animal em um cômodo e afirmou que ele não seria levado. Nós ponderamos sobre o mandado e a necessidade de cumprimento da ordem judicial, e então conseguimos recuperar o animal", relatou Lotti.
Após a apreensão, a cadela foi encaminhada para avaliação veterinária. O resultado do laudo ainda é aguardado pela Polícia Civil para confirmar se houve lesões decorrentes das agressões registradas nas imagens.
Na sequência do atendimento, o animal foi encaminhado a uma organização não governamental de proteção animal, onde permanece sob tutela provisória até decisão da Justiça sobre a guarda definitiva.
Mesmo com a ausência do investigado no interrogatório, o delegado informou que o inquérito policial continuará tramitando normalmente. Caso seja apresentada justificativa considerada plausível para a falta, o depoimento poderá ser reagendado. Do contrário, uma nova intimação não necessariamente será emitida.
Christiano José Bezerra da Silva responde, em liberdade, à investigação pelo crime de maus-tratos contra animais, previsto na Lei Federal nº 9.605/98. A legislação estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda de animais, em caso de condenação.
A Polícia Civil segue reunindo elementos para conclusão do inquérito.
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