Fala ocorreu enquanto município enfrentava impactos das chuvas e famílias estavam desalojadas; parlamentar afirma que crítica teve caráter social
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| Vereador Julinho aparece em barco durante visita a bairros afastados de Peruíbe afetados pelas chuvas. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
Uma declaração feita durante sessão da Câmara Municipal de Peruíbe, provocou repercussão após o vereador Júlio Cesar dos Santos (União Brasil), conhecido como Julinho, comparar bairros da cidade à região Nordeste do Brasil. A fala ocorreu em meio ao período de fortes chuvas que atingiram o município, situação que deixou centenas de moradores desalojados ou isolados em áreas alagadas.
Durante a sessão ordinária, o parlamentar relatava visitas a comunidades mais afastadas da cidade, onde, segundo ele, esteve para acompanhar a entrega de doações destinadas às famílias afetadas pelas enchentes. Ao descrever o cenário encontrado em algumas localidades, o vereador utilizou expressões que rapidamente passaram a circular nas redes sociais.
“Tem lugar que a gente foi que eu falei: ‘Nós tá no Nordeste ou tá em Peruíbe?’ Assim, uns lugar muito feio, cercado de bambu [...] Eu não sabia que Peruíbe tinha lugar assim. Juro, eu não sabia. Eu conheci porque eu meti o barco dos meninos na água e achei esse povo”, afirmou durante o pronunciamento.
Na mesma intervenção, Julinho também mencionou críticas a diferentes áreas da administração municipal, incluindo saúde, obras e educação, além de citar o orçamento da cidade. Segundo ele, os recursos públicos seriam suficientes para promover melhorias mais visíveis na infraestrutura urbana.
“Se eu não me engano, aumentou o orçamento aqui, R$ 640 milhões aproximadamente. […] Rapaz, dava para fazer isso aqui virar Dubai”, disse o vereador ao comentar sobre a arrecadação municipal.
O parlamentar ainda abordou um projeto relacionado à concessão de descontos no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), que, de acordo com ele, teria sido barrado pela Câmara Municipal. Durante a fala, afirmou que considera deixar o município.
“Estamos cobrando, estamos em cima, e não estou conseguindo ver resultado. […] Já estou vendendo os meus comércios aqui, já consegui passar dois e falta só mais um. Provavelmente, eu estou querendo ir embora lá para Balneário Camboriú porque o negócio está feio aqui”, declarou.
Após a repercussão, o vereador afirmou que sua intenção não foi ofender moradores nem regiões do país. Segundo ele, a comparação teve caráter social, relacionada às condições estruturais encontradas em determinados bairros durante as visitas realizadas em meio às chuvas.
As declarações ocorreram em um momento de forte mobilização pública na cidade, com equipes da Defesa Civil, voluntários e órgãos municipais atuando para atender famílias atingidas por alagamentos e deslizamentos em diferentes pontos do território.
O episódio também trouxe à tona discussões sobre a postura institucional esperada de representantes eleitos e a forma como manifestações públicas são feitas em ambientes oficiais. Em sessões legislativas, o pronunciamento dos vereadores integra o registro formal da atividade parlamentar e costuma refletir não apenas posições políticas, mas também o nível de debate estabelecido dentro do plenário.
Nesse contexto, observadores apontaram que, além do conteúdo das comparações feitas, a forma como as declarações foram expressas — incluindo construções linguísticas como “uns lugar muito feio” — também chamou atenção pela distância em relação à formalidade normalmente associada à tribuna legislativa. Em ambientes institucionais, espera-se que a comunicação pública preserve clareza, precisão e respeito, elementos tradicionalmente associados ao uso adequado da língua portuguesa, frequentemente descrita na literatura como a "última flor do Lácio, inculta e bela".
A repercussão do episódio segue mobilizando comentários entre moradores da região e usuários de redes sociais, especialmente diante do contexto em que a cidade enfrentava dificuldades causadas pelas chuvas e pela necessidade de apoio emergencial a famílias atingidas.
A Câmara Municipal não informou, até o momento, se haverá manifestação institucional sobre as declarações feitas durante a sessão.


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