Procurador acusa gestão temerária no Santos, ataca cláusula ligada à reeleição e aponta risco sobre o Meninos da Vila em meio a rombo, protestos e pressão
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| Marcelo Teixeira virou alvo de pedido de impedimento após contrato milionário ligado a dívida com Neymar abrir nova crise nos bastidores do Santos. Foto: Raul Baretta/ Santos FC. |
O Santos mergulhou em mais uma frente de crise — e agora a pancada sobe direto para a cadeira da presidência. Ivan Luduvice, procurador e sócio do clube, protocolou um pedido de impedimento contra Marcelo Teixeira e levou para o centro da guerra um contrato de R$ 90,5 milhões ligado a Neymar.
O peso da denúncia não está só na cifra. Está no desenho do acordo. Segundo o requerimento, a operação criou uma trava explosiva: se Marcelo Teixeira não for reeleito, o parcelamento pode ruir e a cobrança integral da dívida pode ser antecipada. Para o autor do pedido, isso empurra o Santos para uma armadilha financeira montada no coração de uma disputa de poder.
A parte mais sensível atinge o que o torcedor enxerga como patrimônio de futuro. O CT Meninos da Vila foi colocado como garantia no negócio, e a acusação sustenta que uma medida desse porte exigiria aprovação do Conselho Deliberativo. É aí que a crise deixa de ser apenas contábil e ganha cara de bomba institucional: a base do clube entra na conversa como lastro de uma dívida milionária em meio a uma briga política aberta.
O cenário piora quando o caso encontra o caixa do clube. As contas de 2025 foram aprovadas pelo Conselho, mas com déficit de R$ 79,3 milhões e passivo de R$ 998,5 milhões. Houve protesto de torcedores na saída da reunião, e nos últimos dias o elenco também cobrou a diretoria por atrasos nos direitos de imagem, ainda que parte do débito tenha sido regularizada depois.
Enquanto o clube tenta desidratar o pedido dizendo que um associado isolado não teria legitimidade para afastar membros do Comitê de Gestão sem apoio mínimo de conselheiros, Marcelo Teixeira sustenta que a relação com a NR Sports é uma “parceria de sucesso”.
O problema é que, quando dívida alta, patrimônio da base, cláusula de poder e caixa pressionado aparecem na mesma mesa, a blindagem política vira notícia por conta própria.


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