Depois do incêndio que destruiu dezenas de moradias no Dique da Vila Gilda, intervenção no entorno do Parque Palafitas fica mais cara e tem prazo empurrado; Bacia do Mercado também pesa na conta pública
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| Área das palafitas em Santos volta ao centro da pressão após incêndio devastador e aumento milionário em obras públicas. Foto: Defesa Civil. |
A conta das obras em Santos ficou mais pesada — e justamente em áreas onde o atraso não passa despercebido pela população.
Três intervenções em andamento tiveram prazos ampliados ou valores reajustados após a identificação de problemas técnicos durante a execução dos serviços. No pacote, estão obras no entorno do Parque Palafitas, na Bacia do Mercado e no Teatro Coliseu. Somados, os aditivos financeiros chegam a mais de R$ 3,5 milhões.
O caso mais sensível envolve o Parque Palafitas, no Rádio Clube, região marcada pela vulnerabilidade histórica das moradias sobre madeira e pelo incêndio de grandes proporções que atingiu o Dique da Vila Gilda em agosto de 2025. Na ocasião, cerca de 50 casas foram destruídas, aproximadamente 100 famílias foram afetadas e ao menos três pessoas ficaram feridas. Não houve mortes, mas o fogo deixou um retrato duro de uma realidade que Santos conhece há décadas.
Agora, as obras de manutenção no entorno do Parque Palafitas tiveram acréscimo de R$ 1.079.340,35 no contrato com a TMK Engenharia, aumento de 22,37% sobre o valor original. O prazo também foi prorrogado por mais um mês, a partir de 20 de abril de 2026. A justificativa apresentada é a constatação de solo instável na região, o que exigiu reforço na base do pavimento e revisão dos cálculos estruturais.
Na Bacia do Mercado, a mordida foi ainda maior. O contrato com a Lemam Construtora e Comércio recebeu acréscimo de R$ 2.565.794,27, equivalente a 24,88% do valor inicial. O prazo também foi esticado. A explicação envolve problemas na rede de drenagem no entorno da Rua do Meio e na área próxima ao Bom Prato da Praça Iguatemy Martins, além da necessidade de reforço na base do estacionamento previsto.
No Teatro Coliseu, a modernização da caixa cênica teve apenas prorrogação de prazo, sem aumento de custo. A retirada de equipamentos antigos revelou partes ocultas da fiação que precisam ser substituídas.
No papel, são ajustes técnicos. Na rua, a leitura é mais dura: obra pública que começa com um preço, encontra problema pelo caminho, demora mais e termina cobrando mais caro.

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