Após a morte do motoboy de 21 anos, grupo ocupou trecho da rodovia em São Vicente, queimou pipas e fez um alerta duro contra linhas cortantes
Menos de um dia depois da morte do motoboy Matheus da Silva Evangelista, de 21 anos, cerca de 30 motociclistas ocuparam um trecho da Rodovia dos Imigrantes, em São Vicente, para cobrar atenção a um perigo que insiste em cruzar o caminho de quem vive sobre duas rodas: a linha de pipa com cerol.
O protesto aconteceu nas proximidades do km 67, exatamente na região onde o jovem sofreu o acidente fatal. Em um gesto carregado de simbolismo, os participantes queimaram pipas e linhas cortantes. O recado foi direto: o que parece brincadeira do alto pode terminar em tragédia no asfalto.
Durante a mobilização, vídeos foram gravados e fogos de artifício marcaram o ato. A manifestação ocupou temporariamente uma faixa da rodovia e o acostamento, provocando lentidão entre os quilômetros 65,5 e 67 por cerca de dez minutos, até que o trânsito fosse completamente normalizado.
O protesto ocorreu poucas horas após o sepultamento de Matheus, acompanhado por familiares, amigos, e colegas de profissão. Segundo parentes, o jovem alimentava o sonho de construir uma carreira como motociclista profissional. A ironia cruel da história aumenta o peso da perda: dias antes da tragédia, ele havia procurado uma antena corta-pipa para instalar na moto, mas não encontrou o equipamento disponível.
Socorrido inconsciente após sofrer um grave ferimento no pescoço, Matheus foi levado ao Pronto-Socorro Central de São Vicente, onde morreu pouco depois de dar entrada na unidade.
Durante a apuração, policiais encontraram uma linha com cerol atravessada sobre a pista da rodovia. O caso foi registrado como homicídio e segue sob investigação para identificar quem deixou a armadilha no caminho. Enquanto a polícia busca respostas, a cena que ficou na Imigrantes deixa um aviso impossível de ignorar: quando o cerol entra em ação, a brincadeira perde a graça e a conta pode ser paga com uma vida.
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