Suspeito de 25 anos foi capturado em ação conjunta da PCDF e da polícia paulista; a polícia estima que o total de vítimas possa ultrapassar 100 casos
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| Ação policial na Baixada Santista após a prisão de suspeito acusado de aliciar crianças e adolescentes em abuso virtual. Foto: Divulgação/PCDF. |
Um homem de 25 anos foi preso em Guarujá, na Baixada Santista, e a Polícia Civil passou a desenhar como uma rede de abuso sexual infantil era montada: com jogos, chats e a inocência fingida.
A investigação, conjunta entre a Polícia Civil do Distrito Federal e equipes locais da polícia paulista, começou com a denúncia dos pais de uma criança de sete anos, na 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte, no Distrito Federal. A partir desse relato, os agentes rastrearam as conexões digitais até o endereço do investigado na costa do litoral. A apuração aponta ainda que o homem utilizava plataformas populares de jogos eletrônicos e redes de conversa para aliciar menores em diversas regiões do país.
Segundo o delegado Leonardo Miranda, da PCDF, a resposta rápida foi determinante para a captura:
"A partir de uma investigação qualificada, conseguimos identificar esse indivíduo e cumprir o mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão em três endereços ligados ao alvo, na cidade de Guarujá, na Baixada Santista."
O suspeito operava na internet sob o apelido de "ralseidarker", com atenção concentrada no jogo Roblox e no aplicativo de bate-papo Discord. Fingindo ter a mesma idade das vítimas, o investigado aproximava-se dos menores, conquistava a confiança e criava amizades dentro dos jogos. Depois, conduzia as crianças e adolescentes para outros aplicativos com chamadas de vídeo. Lá, usava manipulação e apelos emocionais baseados no vínculo já criado para coagir as vítimas a enviarem imagens e vídeos de conotação sexual explícita, envolvendo outras crianças nos atos.
Com a autorização judicial, os agentes examinaram os celulares e computadores recolhidos nos imóveis do acusado e confirmaram a existência de vasto material com registros de exploração sexual infantil armazenado nos aparelhos.
O suspeito irá responder por estupro de vulnerável praticado em ambiente virtual, aliciamento de criança para fins sexuais e armazenamento e posse de material pornográfico infantojuvenil, além de eventuais novas tipificações que surgirem na conclusão do inquérito. Somadas, as penas máximas previstas em lei podem alcançar até 29 anos de reclusão.
A polícia estima que o total de vítimas possa ultrapassar a marca de 100 casos, abrangendo crianças e adolescentes com idades entre 6 e 14 anos. Com os discos rígidos, celulares e mídias digitais apreendidos em Guarujá encaminhados para perícia técnica aprofundada, a chamada Operação Ralseidarker passa a cruzar dados digitais, identificar outras vítimas espalhadas pelos estados brasileiros e verificar se houve compartilhamento ou comercialização do material ilícito na internet.


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