Parlamentar Amanda Vettorazzo se torna alvo de intimidações após propor lei contra shows com apologia ao crime organizado
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| Vereadora Amanda Vettorazzo, alvo de ameaças nas redes sociais, busca proteção para seguir sua atuação legislativa. Foto: Câmara de São Paulo. |
O embate entre a vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), da capital paulista, e o rapper Oruam, vem ganhando contornos de alta tensão e preocupação nas últimas semanas. A parlamentar, autora de um Projeto de Lei que visa proibir a contratação de artistas que promovam apologia ao crime organizado em eventos financiados pela Prefeitura de São Paulo, tornou-se alvo de uma série de ameaças nas redes sociais após citar Oruam como exemplo de artistas que poderiam ser impactados pela medida.
A polêmica ganhou notoriedade no início da semana passada, quando Vettorazzo divulgou nas redes sociais a proposta legislativa, que gerou reação imediata do rapper. Oruam, filho de Marcinho VP — figura conhecida como líder do Comando Vermelho, atualmente preso —, utilizou suas plataformas para se posicionar de maneira que ultrapassou os limites da crítica política, escalando para ofensas e intimidações.
Em um vídeo publicado em sua conta no Instagram, Oruam dirigiu palavras de teor agressivo à vereadora: “Tu quer ficar nessa daí? Vai proibir o c@ralh0, pô. Tu nem tem força para isso. Bobona. Eu nunca vi uma pessoa estudar para falar merd@. Só tu não falar meu nome, senão tu vai conhecer o capeta”. A declaração provocou indignação imediata, mas não parou por aí. Nos dias seguintes, vídeos de seguidores do cantor circulando nas redes sociais exibiam homens cantando músicas do rapper enquanto ostentavam armas de fogo, em um claro tom de ameaça.
Amanda Vettorazzo, temendo por sua segurança, registrou boletins de ocorrência para formalizar as ameaças sofridas. Nesta segunda-feira (27), um pedido foi protocolado na Câmara Municipal de São Paulo para que a parlamentar seja acompanhada por uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM) durante 24 horas, incluindo deslocamentos em compromissos pessoais.
O estopim para a situação foi o Projeto de Lei defendido por Vettorazzo, que busca evitar o uso de recursos públicos para a contratação de artistas cujas obras ou discursos promovam ou romantizem atividades criminosas. No centro da polêmica, está Oruam, um dos nomes mais populares do cenário musical atual. O rapper conquistou ampla visibilidade com a música “Oh Garota Eu Quero Você Só Pra Mim”, que figura entre as mais tocadas do Brasil no Spotify e conta com a participação de artistas de grande expressão como Zé Felipe e MC Tuto.
Embora a música em questão não apresente referências explícitas ao crime organizado, o histórico familiar do artista e a percepção de que outros trabalhos do mesmo flertam com a glorificação da criminalidade motivaram a inclusão de seu nome no debate. A proposta, no entanto, ainda está em fase de discussão inicial e não foi votada.
O caso traz à tona uma questão sensível: até onde vai o limite entre a liberdade artística e a responsabilidade social? Para Amanda Vettorazzo, o vínculo cultural que reforça a normalização da violência e do crime não deve ser financiado com recursos públicos, especialmente em uma cidade que enfrenta desafios tão graves na área da segurança pública.
Por outro lado, defensores de Oruam argumentam que o artista tem o direito de se expressar livremente e que sua obra não deve ser criminalizada pelo contexto de sua vida pessoal ou de sua família. Contudo, as ameaças diretas à vereadora complicam a defesa de quem pretende atribuir a situação apenas a um “mal-entendido” ou exagero.
Enquanto o debate político e social avança, a rotina de Amanda Vettorazzo será marcada por vigilância constante. A parlamentar, que afirmou não se intimidar diante das ameaças, declarou que seguirá firme na defesa do projeto e de suas convicções.


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