Ação policial em área de proteção ambiental resultou em explosões que danificaram residências próximas e feriram menino de 2 anos
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| Operação de demolição em área de proteção ambiental no Jardim Virgínia, Guarujá, resultou em ferimentos leves em uma criança de 2 anos e danos a residências próximas. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
Um episódio envolvendo a demolição de uma construção irregular em Guarujá, no litoral de São Paulo, resultou em ferimentos leves em uma criança de 2 anos e levantou questionamentos sobre a comunicação entre as autoridades e os moradores da região. A ação, realizada pela Polícia Militar Ambiental com apoio do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), ocorreu na última sexta-feira (24), no bairro Jardim Virgínia, área de proteção ambiental.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a operação seguiu os protocolos legais estabelecidos pela Lei 9.605/1998 e pelo Decreto nº 6.514/2008, que regulamentam ações de combate a crimes ambientais. A pasta afirmou que os moradores foram notificados previamente sobre a demolição e que um perímetro de isolamento de mais de 100 metros foi estabelecido para garantir a segurança durante as explosões. A quantidade de explosivos utilizada, segundo a SSP, foi mínima, suficiente apenas para comprometer a estrutura da construção irregular.
No entanto, relatos de moradores contradizem a versão oficial. Uma residente da área, que preferiu não se identificar, afirmou que não foi informada sobre os detalhes da operação. Segundo ela, seu marido foi orientado a permanecer dentro de casa sem receber explicações claras sobre o motivo. Durante a detonação, os vidros e janelas de sua residência estouraram, atingindo o filho do casal, que teve ferimentos leves. A criança foi levada a um hospital em Santos e deve passar por um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) nesta terça-feira (28).
A Prefeitura de Guarujá, por sua vez, declarou que não foi notificada sobre a operação. Em nota, a Secretaria Municipal de Defesa e Convivência Social (Sedecon) afirmou que atua regularmente para coibir invasões e demolições em áreas irregulares, mas não teve conhecimento prévio da ação realizada pela Polícia Militar Ambiental. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (Semam) destacou que o imóvel demolido está localizado dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra de Santo Amaro, reforçando a irregularidade da construção.
A SSP informou ainda que o bairro Jardim Virgínia é alvo de vistorias constantes e que diversas autuações já foram aplicadas devido a construções irregulares. A pasta ressaltou que a Polícia Militar está apurando eventuais danos causados aos moradores e que permanece à disposição para esclarecimentos.
A falta de comunicação entre as esferas municipal e estadual, bem como a ausência de diálogo claro com os moradores, levanta debates sobre a necessidade de maior transparência e coordenação em operações desse tipo.


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