Crime covarde no coração da madrugada evidencia a fragilidade dos vulneráveis na Baixada Santista
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| Cena do local do crime em Vicente de Carvalho, Guarujá, onde um homem em situação de rua foi agredido e roubado enquanto dormia. Foto: Reprodução/Câmera de vigilância. |
O retrato da desigualdade e da insegurança urbana ganhou novos contornos em Guarujá com um episódio que escancara a crueldade da vida nas ruas. Um homem de 52 anos, em situação de rua, foi violentamente agredido e roubado enquanto dormia, no distrito de Vicente de Carvalho, na Avenida São João, bairro Sítio Paecará. A cena, captada por câmeras de segurança de um comércio local, é um retrato assustador da impunidade: um suspeito, ainda não identificado, utiliza o que aparenta ser um pedaço de madeira para golpear a vítima repetidamente.
O crime ocorreu na madrugada de ontem, domingo (26). Segundo relatos divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Polícia Militar foi acionada e encontrou o homem caído, ensanguentado e com graves lesões nos braços, pernas e rosto. Além do espancamento, o agressor fugiu levando a bicicleta da vítima, um dos poucos pertences que ele possuía. O local foi periciado e o caso registrado como tentativa de homicídio, mas até o momento o autor do crime permanece foragido.
Encaminhado inicialmente ao Pronto-Socorro de Vicente de Carvalho pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), o homem apresentava um quadro grave, com trauma cranioencefálico, fratura exposta dos ossos nasais, trauma em um dos membros inferiores e diversos ferimentos pelo corpo. Após os primeiros atendimentos, que incluíram sutura, analgesia e administração de antibióticos, ele foi transferido para o Hospital Santo Amaro para um tratamento mais complexo.
A investigação está a cargo da Polícia Civil de Guarujá, que conduz diligências para identificar o criminoso e esclarecer as circunstâncias do ataque. No entanto, crimes dessa natureza frequentemente se perdem no vão entre a gravidade do ato e a ausência de testemunhas ou provas concretas que levem à prisão dos culpados.
Não se trata apenas de um episódio isolado. Em cidades como Guarujá, a invisibilidade social é rotina, e a violência é quase sempre o único reconhecimento dado a quem já foi privado de dignidade. Neste cenário, o resgate de direitos básicos — como moradia, alimentação e segurança — é um desafio que deve mobilizar não apenas os governantes, mas toda a sociedade.
A administração municipal informou que o homem recebeu atendimento adequado no pronto-socorro e que sua transferência ao Hospital Santo Amaro foi essencial para tratar a gravidade dos ferimentos. No entanto, não foram divulgadas informações sobre eventuais ações para localizar familiares ou oferecer assistência continuada à vítima após sua recuperação.
Casos como este reforçam a necessidade de uma reflexão profunda sobre o papel das autoridades e da sociedade em combater a exclusão social e a violência que marcam a vida de quem está à margem. A investigação policial segue em andamento, mas o impacto do crime ultrapassa o campo judicial: ele expõe a crueldade de uma sociedade que muitas vezes vira as costas para os mais vulneráveis.
Em meio à brutalidade, resta a esperança de que a justiça seja feita e que, pelo menos neste caso, a indiferença não seja a última palavra.


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