Inseto invasor se espalha pelo litoral de São Paulo; especialistas alertam para riscos ambientais e recomendam cuidado no manejo
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| O percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo), praga originária da China, se espalha pelo litoral paulista, causando preocupação ambiental e agrícola. Foto: Reprodução iNaturalist. |
Um visitante inesperado e preocupante tem chamado atenção no litoral de São Paulo: o percevejo-de-pintas-amarelas (Erthesina fullo), espécie invasora originária da China, foi avistado em várias cidades da Baixada Santista, incluindo Santos, São Vicente e Guarujá. Apesar de não apresentar perigo direto à saúde humana, o inseto é considerado uma praga em seu país de origem, capaz de prejudicar plantações e, potencialmente, causar reações alérgicas em pessoas ou animais domésticos que entrem em contato com ele.
Desde o primeiro registro na região, ocorrido em 2020 nas proximidades do Porto de Santos, o número de notificações tem aumentado. De acordo com o observatório iNaturalist, 22 avistamentos foram reportados na Baixada Santista, sendo a maioria em Santos. A última aparição registrada foi em outubro de 2024, no bairro Parque São Vicente, em São Vicente.
Embora o Erthesina fullo não seja, por si só, uma ameaça à saúde humana, especialistas recomendam evitar qualquer contato com o inseto. Carlos Leandro Firmo, mestre em Zoologia e professor da Universidade São Judas, esclarece que a espécie não possui características que a tornem intrinsecamente perigosa para humanos ou animais. "Algumas pessoas podem desenvolver reações alérgicas ao contato com insetos em geral, mas não há evidências de que essa espécie, especificamente, seja causadora de crises alérgicas", explicou.
A preocupação com o percevejo-de-pintas-amarelas se dá, sobretudo, por sua condição de espécie invasora. Sem predadores naturais na região, ele pode se proliferar rapidamente, ameaçando o equilíbrio ambiental. Além disso, estudos indicam que a espécie é capaz de causar danos a culturas agrícolas como pêssegos, nectarinas e macieiras, o que representa um risco potencial para a economia agrícola da região.
Diante do aumento das notificações, a recomendação de especialistas é clara: ao encontrar um exemplar do percevejo-de-pintas-amarelas, a população deve evitar tocar ou tentar capturá-lo. A melhor maneira de contribuir é registrar a ocorrência em plataformas de ciência cidadã, como o iNaturalist. Esses sistemas permitem que especialistas monitorem a presença do inseto e desenvolvam estratégias para conter sua disseminação.
Firmo ainda reforça que o manejo de qualquer espécie de fauna deve ser realizado exclusivamente por profissionais autorizados, conforme regulamentação de órgãos ambientais. "A coleta desses insetos não deve ser feita sem as devidas autorizações. É importante respeitar os protocolos estabelecidos para evitar riscos desnecessários", alertou.


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