Crise no Peixe se aprofunda com pressão de organizadas, demissão de técnico e clima de instabilidade
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| Torcedores invadem o CT Rei Pelé e protestam contra diretoria e elenco após goleada histórica sofrida pelo Santos. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
A crise que se arrasta no Santos Futebol Clube ganhou contornos ainda mais graves nesta semana. Após a goleada histórica por 6 a 0 sofrida diante do Vasco da Gama no último domingo (17), um grupo de cerca de 100 torcedores, ligados principalmente às organizadas Torcida Jovem e Sangue Jovem, invadiu o Centro de Treinamento Rei Pelé na manhã desta segunda-feira (18). O alvo do protesto foi a diretoria, em especial o presidente Marcelo Teixeira, além do elenco profissional, duramente cobrado pelo desempenho abaixo do esperado.
O ato começou de forma ruidosa, com fogos de artifício e gritos de ordem ecoando pelos arredores do CT. Em seguida, os torcedores romperam um dos portões de acesso e conseguiram chegar até o estacionamento onde ficam os veículos dos jogadores. Ali, o clima foi de forte tensão. Embora a Polícia Militar tenha reforçado o policiamento no local, o grupo conseguiu avançar, demonstrando a fragilidade da segurança e o nível de insatisfação que toma conta da torcida santista.
A pressão se intensificou justamente no dia da reapresentação do elenco após a derrota vexatória em São Januário. Pouco depois do episódio, a diretoria anunciou a saída do técnico Cleber Xavier, decisão que, para parte da torcida, é considerada insuficiente diante da gravidade do momento.
O episódio no CT não pode ser tratado como um simples ato de descontrole de torcedores. Ele simboliza o esgotamento da paciência de uma torcida acostumada com conquistas históricas e que, nos últimos anos, tem colecionado frustrações. O Santos, tricampeão da Libertadores e celeiro de craques mundiais, vive um período de instabilidade que vai além das quatro linhas.
A presença ostensiva de torcidas organizadas no ambiente do clube mostra que a crise ultrapassou os limites esportivos e atingiu a relação entre dirigentes e base social. Marcelo Teixeira, figura já conhecida na presidência do Peixe, tornou-se o principal alvo das cobranças. Os torcedores exigem medidas mais drásticas para reverter o que chamam de “abandono da instituição”.
O protesto levanta uma questão preocupante: até que ponto a insatisfação pode ser manifestada sem descambar para episódios de violência e insegurança? A quebra do portão e a invasão do CT indicam falhas de segurança e expõem atletas e funcionários a riscos desnecessários. Embora o direito à manifestação seja legítimo, a forma como ela ocorreu gera debates sobre responsabilidade, limites e consequências para a gestão esportiva.
Enquanto isso, dentro de campo, a equipe precisa encontrar soluções rápidas. A goleada sofrida não apenas afundou o time na tabela, mas também desnudou um elenco fragilizado e sem padrão de jogo. A troca no comando técnico pode trazer um respiro momentâneo, mas dificilmente resolverá a crise estrutural que o clube enfrenta.
Com a temporada em andamento e a pressão aumentando a cada rodada, o Santos se vê diante de um desafio que vai além da bola rolando. A necessidade de reorganizar o clube internamente, reconquistar a confiança de sua torcida e recuperar a competitividade em campo é urgente. Caso contrário, protestos como o que ocorreu no CT Rei Pelé tendem a se repetir, corroendo ainda mais a relação entre torcida e diretoria.
O episódio desta segunda-feira é um alerta: a paciência da nação santista parece ter se esgotado. O que está em jogo não é apenas a campanha em um campeonato, mas a própria identidade e credibilidade de uma das instituições mais tradicionais do futebol brasileiro.


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