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IPTU caro, serviço precário: contribuintes enfrentam filas, calor e desorganização em Praia Grande

Com carnês atrasados e sistema ineficiente, moradores lotam a Prefeitura para pagar um dos impostos mais altos da região e encontram descaso

Contribuintes enfrentam filas, calor intenso e falta de estrutura na Prefeitura de Praia Grande para pagar o IPTU, enquanto setores internos permanecem climatizados. Foto: Alberto Presecatan.

O vencimento da primeira parcela e da cota única do IPTU em Praia Grande escancarou, mais uma vez, o abismo entre o que se arrecada e o que se devolve à população. Com carnês que não chegaram a muitos bairros e dificuldades para emitir boletos pela internet, contribuintes foram obrigados a buscar atendimento presencial na Prefeitura, formando filas extensas e desorganizadas.

Na manhã desta segunda-feira, o cenário foi de desgaste físico e paciência no limite. Em meio ao calor intenso, com sensação térmica próxima dos 40 graus, o espaço destinado ao público estava sem climatização. A justificativa apresentada foi de falha no ar-condicionado, enquanto outras áreas internas do prédio permaneciam refrigeradas, inclusive setores administrativos sem acesso direto ao público.

Enquanto a fila de contribuintes enfrentava calor e desconforto, a sala da Ouvidoria permanecia de portas fechadas, com ar-condicionado ligado, evidenciando o contraste entre quem paga o imposto e quem deveria acolher a população. Foto: Alberto Presecatan.

A triagem também gerou desconforto. A prioridade legal para idosos foi reinterpretada no atendimento, restringindo o benefício apenas a pessoas acima de 80 anos, em clara contradição com o que prevê a legislação. A situação agravou-se com bebedouros sem refrigeração, forro aberto e um ambiente que mais lembrava um teste de resistência do que um serviço público básico.

Chama atenção o fato de que todos ali não buscavam favores, mas apenas cumprir uma obrigação fiscal. Ainda assim, recursos elementares de acolhimento não estavam disponíveis. Até mesmo cadeiras de rodas destinadas a pessoas com deficiência ou a quem passasse mal estavam presas por correntes e cadeados, limitando o acesso em um local onde o mal-estar físico era previsível.

Cadeiras de rodas destinadas ao atendimento da população permanecem presas por correntes e cadeados, limitando o acesso em um ambiente onde o mal-estar físico era previsível diante do calor e da superlotação. Foto: Alberto Presecatan.

O contraste torna-se ainda mais evidente quando se observa que, fora daquele espaço, a cidade investe em eventos, shows e pirotecnia na orla. O espetáculo, porém, não resolve a realidade de quem sustenta a máquina pública e encontra, no momento de pagar seus impostos, um atendimento incompatível com o peso da cobrança.


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