Incidente ocorreu durante fiscalização da Operação Verão após policiais constatarem que o licenciamento do veículo estava atrasado desde 2017
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| Carcaça de veículo consumida pelo fogo após o proprietário reagir de forma violenta à apreensão administrativa em Praia Grande. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
A paciência do cidadão médio parece ter se tornado um artigo tão escasso quanto o bom senso. Na última sexta-feira, o bairro Aviação, em Praia Grande, foi palco de um episódio que ilustra com precisão cirúrgica o limiar da tolerância contemporânea. Durante uma fiscalização de rotina da Operação Verão na Avenida Presidente Kennedy, um homem de 46 anos decidiu que, se o Estado levaria seu carro, o fogo levaria o resto.
A ironia da situação reside nos detalhes técnicos. Abordado em um bloqueio de alcoolemia, o motorista foi submetido ao teste do bafômetro e o resultado foi negativo. No entanto, o que a sobriedade não revelou, o sistema de dados expôs: o veículo acumulava quase uma década de irregularidades, com o licenciamento vencido desde 2017. Diante da notícia de que o automóvel seria guinchado para o pátio municipal de Mongaguá, o proprietário optou por uma solução pirotécnica.
Inconformado com a aplicação da lei, o indivíduo ateou fogo ao próprio patrimônio. O gesto, que flerta com o trágico e o absurdo, resultou em ferimentos no próprio autor e na necessidade de atendimento médico na UPA do Quietude. O que seria apenas uma multa e uma apreensão administrativa transmutou-se em crime de incêndio e prisão em flagrante.
A ocorrência levanta uma reflexão incômoda sobre a psicologia das massas na atualidade. A dificuldade em lidar com as consequências de negligências antigas — como o abandono de obrigações tributárias por nove anos — culmina em explosões de fúria que não resolvem o problema original e apenas empilham novos desastres. No fim das contas, o asfalto da Baixada ganhou uma carcaça retorcida e o judiciário, mais um caso onde o pavio curto custou muito mais caro que um documento em dia.


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