Concessionária Novo Litoral inicia cobrança em novembro, mas estrada coleciona acidentes fatais sem soluções concretas
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| Via Expressa Sul, palco de constantes tragédias, terá pedágio cobrado a partir de novembro, enquanto a segurança continua em segundo plano. Foto: Divulgação/CCI/Artesp. |
A Via Expressa Sul, uma das principais ligações entre a Baixada Santista e o Litoral Sul, soma mais um episódio trágico em sua extensa lista de acidentes fatais. O caso mais recente ocorreu na altura do km 000+500, sentido leste, onde um motociclista ignorou a sinalização de uma obra de pavimentação e, após manobra arriscada, colidiu violentamente contra a traseira de um caminhão da empresa terceirizada que executava os trabalhos. O impacto lançou o condutor ao solo, em mais uma cena de sangue que já não surpreende motoristas nem socorristas acostumados a este cenário de risco.
O trecho estava devidamente sinalizado com placas, cones e até um "homem-bandeira" orientando o tráfego, mas a pressa e a imprudência falaram mais alto. O resultado foi o de sempre: corpo no asfalto, trânsito bloqueado e mais uma estatística que engrossa o histórico sombrio da rodovia. O episódio reforça a sensação de que, entre obras mal planejadas, motoristas imprudentes e fiscalização insuficiente, a Via Expressa se transformou em uma roleta-russa sobre rodas.
O ponto mais indigesto, entretanto, é o timing da tragédia. Em novembro, a recém-chegada Concessionária Novo Litoral inicia a cobrança do pedágio por trecho, no sistema “free flow”, vendido ao público como modernidade e eficiência. Mas enquanto a fatura chega sem demora, as soluções para reduzir a carnificina no asfalto seguem em atraso. A população pagará mais caro para rodar, mas não há garantias de que a rodovia se tornará menos letal.
O discurso oficial fala em investimentos futuros em segurança viária, monitoramento e melhorias estruturais. Contudo, a realidade nua e crua é que a estrada continua a devorar vidas a cada semana. O pedágio virá, o bolso do motorista será atingido, mas a pergunta permanece: até quando a sociedade será obrigada a financiar uma rodovia que, em vez de oferecer mobilidade segura, coleciona velórios?
A Via Expressa Sul é um retrato cruel da equação brasileira entre concessões milionárias e descaso cotidiano. Se a cobrança já tem data marcada, a redução dos acidentes mortais segue sem prazo. E o asfalto, por enquanto, segue sendo pago em sangue.


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