Mãe é presa após deixar quatro filhos sozinhos durante a madrugada; fogo causado por vela reacende debate sobre proteção infantil e vulnerabilidade social
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| Janelas e fachada do apartamento ficaram completamente queimadas após incêndio causado por vela em imóvel sem energia elétrica. Foto: Reprodução/Redes Sociais. |
O amanhecer desta terça-feira (16) foi marcado por sirenes, fuligem e silêncio constrangido em um prédio do bairro Quietude, em Praia Grande. Em um apartamento do terceiro andar, um incêndio revelou uma realidade que costuma permanecer invisível: quatro crianças passaram toda a madrugada sozinhas, à luz de velas, em um imóvel sem energia elétrica.
O fogo começou por volta das 5h45, quando uma vela caiu sobre o sofá. As chamas tomaram parte do apartamento e só não causaram uma tragédia maior porque vizinhos agiram rapidamente, controlando o incêndio antes que se espalhasse. Apesar do susto e da destruição, ninguém ficou ferido.
Segundo informações oficiais, a mãe das crianças, de 36 anos, havia saído durante a noite para trabalhar. Em meio a dificuldades financeiras, com o fornecimento de energia cortado há meses, deixou os filhos de 7, 10, 14 e 15 anos desacompanhados. O retorno ao local aconteceu apenas horas depois, já com a situação sob controle e a presença da polícia.
Relatos de moradores indicam que não teria sido a primeira vez que as crianças ficaram sozinhas durante a noite. A Polícia Militar registrou a ocorrência como abandono de incapaz e incêndio, e o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso e adotar medidas de proteção.
O episódio expõe uma contradição dura e recorrente: a responsabilização penal diante de um contexto de extrema vulnerabilidade social. Em plena época de festas de Natal, com quatro filhos menores, sem luz em casa e pressionada pela necessidade de sustento, a mulher agora responde criminalmente por uma escolha que, embora arriscada, parece ter sido guiada pela sobrevivência.
O incêndio foi contido, as crianças foram protegidas naquele momento, mas o caso deixa uma pergunta incômoda no ar: até que ponto o sistema enxerga apenas o crime, sem encarar as condições que o antecedem?


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