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Os fantasmas do porto e a realidade do hospital: o labirinto de versões em Peruíbe

Entre anúncios digitais e o silêncio dos gabinetes, prefeitura desmente retorno de megaempreendimento e recalcula prazos para a saúde pública

Vista panorâmica da orla de Peruíbe, onde a tranquilidade da paisagem contrasta com as recentes especulações sobre grandes intervenções portuárias na região. Foto: Reprodução.

A calmaria característica da orla de Peruíbe foi interrompida nos últimos dias por um turbilhão de informações que, ao cruzarem os corredores da administração pública, revelaram-se desprovidas de lastro oficial. O nome de Eike Batista voltou a circular nos noticiários e redes sociais, resgatando um projeto de 2014 que prometia transformar a cidade em um polo logístico de 4 bilhões de reais. No entanto, o cenário pintado no ambiente digital não encontra eco na realidade institucional do município ou do Estado.

O prefeito Felipe Bernardo foi enfático ao classificar a suposta retomada do porto como uma novidade restrita à imprensa. Segundo o chefe do Executivo, não houve protocolo, apresentação de planta ou sequer uma conversa informal com o grupo empresarial. A narrativa que circulava detalhava planos de uma ilha artificial e o recebimento de supernavios chineses, chegando a afirmar que um plano de trabalho para licenciamento ambiental já estaria no Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente).

A resposta oficial da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo foi curta e implacável: o conteúdo não procede. Sem documentos ou processos em trâmite, o projeto bilionário permanece, por ora, como um fantasma do passado que ressurge periodicamente para gerar desgaste e polêmica, mas sem bases concretas que justifiquem o alvoroço econômico e ambiental.

A saúde no relógio da burocracia

Enquanto o porto se mostra uma ficção, a construção do Hospital Municipal de Peruíbe é uma estrutura física que exige pé no chão quanto ao cronograma. O prefeito aproveitou o momento de esclarecimentos para desmentir outra informação que ganhava força: a de que a unidade seria inaugurada em 18 de fevereiro, aniversário da cidade.

A realidade dos processos legais e administrativos impõe um ritmo mais lento. Com um orçamento anual de 620 milhões de reais, a cidade precisa de cautela para gerir um equipamento que custará mais de 4 milhões de reais mensais em manutenção. A parceria com o Estado garante a maior parte dos recursos, mas a escolha da Organização Social que gerenciará os 74 leitos e as UTIs ainda percorre o edital publicado em dezembro.

O planejamento agora é transparente. A assinatura do contrato com a administradora vencedora está prevista para abril, iniciando a fase de compra de equipamentos e contratação de pessoal. A expectativa realista de abertura de portas foi deslocada para o final do primeiro semestre de 2026, ou possivelmente o segundo.

Para a gestão municipal, o anseio da população por atendimento médico não pode atropelar a segurança jurídica e a transparência das etapas obrigatórias da lei.


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