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Carnaval de Santos tem madrugada marcada por tiros em baile no Morro São Bento

Vídeo de festa na esquina das ruas Santa Valéria e São Miguel mostra disparos para o alto e referências a facções; cena expõe avanço de "estado paralelo"

Imagens de celular mostram disparos para o alto durante baile no Morro São Bento, em Santos, na madrugada de Carnaval
Imagens de celular mostram disparos para o alto durante baile no Morro São Bento, em Santos, na madrugada de Carnaval. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A madrugada de Carnaval em Santos, ganhou um capítulo que nada tem de folia: tiros foram disparados para o alto em meio a um baile com música alta e grande aglomeração no alto do Morro São Bento, na esquina das ruas Santa Valéria e São Miguel. As imagens, gravadas por celular e difundidas nas redes, mostram um cantor com microfone em punho incentivando o público enquanto os estampidos se misturam ao som do funk. O episódio é relevante porque expõe, em plena área urbana e em horário estendido até a manhã, a naturalização do armamento ostensivo e a sensação de impunidade em um ponto residencial da Cidade.

Mão exibe pistola com carregador alongado, acessório que amplia a capacidade de munição e eleva o potencial de disparos em sequência
Mão exibe pistola com carregador alongado, acessório que amplia a capacidade de munição e eleva o potencial de disparos em sequência. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

No vídeo, após uma sequência de disparos, o artista anuncia frases que associam a festa a “rajadas” e exaltações a “Peixão”, nome ligado, segundo relatos e apurações já conhecidas no noticiário nacional, à disputa entre grupos criminosos no Rio de Janeiro. A gravação também sugere referências a territórios e a uma lógica de “pertencimento” ao crime, em falas como “só quem é cria, só quem é criminoso sabe essa”, enquanto a plateia permanece próxima aos atiradores, sem reação de fuga ou interrupção do evento.

O material evidencia que os disparos ocorreram diante de dezenas de jovens e outros frequentadores, sem que se perceba, ao menos naquele recorte, qualquer contenção imediata. A aparente tranquilidade do público e a ausência de receio por parte de quem atira reforçam um cenário recorrente em áreas vulneráveis: quando a arma vira trilha sonora, a ordem pública já foi substituída por regras informais de domínio territorial. Não se trata apenas de risco de “bala perdida”, mas de uma demonstração de poder em espaço coletivo, com potencial de desencadear pânico, feridos e mortes.

A cena ocorre em um contexto de programação de Carnaval descentralizada, com desfiles de escolas de samba antecipados e, nos dias tradicionais do evento, maior circulação de blocos e bandas em regiões centrais e bairros. No Morro, porém, o amanhecer seguiu sem indícios de encerramento, revelando uma contradição incômoda: enquanto a cidade tenta organizar o calendário e ocupar espaços públicos com cultura, há locais em que o Estado chega tarde, chega pouco — ou não chega. Essa omissão, traduzida em minutos (e horas) de tiros sem interrupção visível, tem custo social imediato: moradores acuados, comércio e circulação afetados, e a mensagem de que a lei vale menos do que a intimidação.

Até o momento, as imagens reforçam a necessidade de identificação dos responsáveis, apuração sobre eventual posse e porte ilegal de armas, e esclarecimentos sobre policiamento, ações preventivas e respostas rápidas em áreas com histórico de vulnerabilidade. Quando a presença estatal é episódica, o “estado paralelo” deixa de ser metáfora e passa a ser rotina.

Você mora na região e presenciou o evento ou tem informações verificáveis sobre o ocorrido? Envie relato com data, horário e local, e, se possível, registros que ajudem a contextualizar a apuração, preservando sua identidade: alcaprenews@gmail.com.


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