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Mensagens atribuídas a empresário investigado apontam suposta compra de apoio de mais de 50 prefeitos na Bahia

Conversas analisadas pela PF citam repasses fracionados em espécie e tratativas diretas com gestor municipal também investigado na Operação Overclean

Polícia Federal cumpre diligências e analisa mensagens que passaram a integrar inquéritos da Operação Overclean. Foto: Divulgação/Polícia Federal.

Mensagens atribuídas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento, investigado em diferentes fases da Operação Overclean, passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Federal (PF) após indicarem, em diálogos, a suposta negociação de apoio com dezenas de prefeituras na Bahia mediante repasses em dinheiro. O material, revelado nesta quinta-feira (12), reforça o eixo de apuração sobre corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitações envolvendo contratos públicos e verbas federais.

De acordo com o conteúdo descrito nas conversas, Baldino afirma ter “feito” dezenas de municípios e menciona avanço para novas tratativas, em referência a acordos com gestores municipais. As mensagens também indicam que pagamentos teriam sido operacionalizados por meio de depósitos em espécie, de forma fracionada, em contas apontadas como vinculadas a prefeitos, mecanismo que, em tese, dificultaria o rastreamento de valores.

Um dos diálogos citados envolve contato direto com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana (BA), que também figura como investigado na Overclean e chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial. Segundo a apuração, há troca de mensagens em que o empresário pede orientação sobre “como mandar a encomenda” e, na sequência, encaminha comprovantes bancários. O prefeito retornou ao cargo após decisão no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), mantendo, contudo, a condição de investigado, conforme registros públicos sobre o caso.

Baldino é ex-presidente da Câmara Municipal de Várzea do Poço (BA) e sócio de empresa do setor de construção civil que entrou no radar da PF em etapas distintas da operação. Ele foi preso na primeira fase, em dezembro de 2024, e depois colocado em liberdade, permanecendo sob investigação.

A Operação Overclean apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos ligado, sobretudo, a emendas parlamentares e contratos de engenharia, com suspeitas que incluem licitações direcionadas, empresas de fachada, superfaturamento e pagamento de propina. Em linhas gerais, a investigação aponta movimentação estimada em R$ 1,4 bilhão ao longo de quatro anos e ramificações que alcançariam mais de um estado — um recado incômodo para gestores e fornecedores de obras públicas em todo o país, inclusive municípios que mantêm relações contratuais frequentes com verbas federais, como ocorre na Baixada Santista.

Em fases anteriores, decisões judiciais autorizaram bloqueios de valores de investigados, somando R$ 85,7 milhões em uma das etapas vinculadas à atuação do STF no caso. 

Enquanto a PF segue analisando celulares, computadores e documentos apreendidos, o material recém-incorporado adiciona uma camada de pragmatismo frio ao vocabulário das tratativas: quando a conversa trata propina como “encomenda”, o problema não é a metáfora — é a naturalidade com que ela circula.

No noticiário regional, a Overclean funciona como alerta operacional: contratos públicos, emendas e obras são terreno fértil para disputas legítimas e fiscalização necessária — e, quando a régua falha, o prejuízo costuma chegar antes do asfalto.

Se você é morador da Baixada Santista e quer acompanhar como investigações desse tipo podem repercutir em contratos e obras financiadas com recursos federais, siga o portal e envie informações ou denúncias com documentos (quando houver) pelos nossos canais, ou através email alcaprenews@gmail.com.


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