Medida inédita da Corregedoria atinge dois agentes afastados e inclui restrição de contato, entrega de armas e veto a prédios da instituição
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| Investigadores afastados pela Corregedoria serão monitorados por tornozeleira eletrônica, em medida inédita na Polícia Civil de São Paulo. Foto: Reprodução. |
Pela primeira vez na história da Polícia Civil de São Paulo, dois policiais civis investigados passarão a ser monitorados por tornozeleira eletrônica. A providência, confirmada pela Corregedoria, alcança a investigadora Tania Aparecida Nastri, 54 anos, e Carlos Huerta, 53, ambos afastados cautelarmente por suspeita de favorecer o crime organizado. O equipamento deve ser instalado até segunda-feira (16/02), nas dependências da Corregedoria, quando os investigadores deverão assinar ata com termos e condições do monitoramento.
A decisão surge no rastro de apurações que miram a atuação de policiais civis sob suspeita de conexão com grupos criminosos e se relaciona ao caso Vinícius Gritzbach, apontado como delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) e assassinado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo. O “tornozelamento”, segundo fontes ligadas ao procedimento, não faz parte da rotina administrativa da instituição e passou a ser tratado internamente como um marco de fiscalização.
A Corregedoria avalia que a medida amplia o controle sobre investigados que, embora afastados, ainda poderiam manter circulação, contatos e influência. Na prática, a instituição admite — pelos próprios instrumentos que agora aciona — que o afastamento, sozinho, pode ser insuficiente quando o alvo é um agente treinado para operar justamente nos ambientes onde se coleta informação, se preserva prova e se protege a cadeia de custódia. Quando o Estado precisa vigiar quem deveria garantir a vigilância, o problema deixa de ser individual e passa a tocar o modelo de controle.
No centro do caso está a Operação Face Off, deflagrada pela Polícia Federal em maio do ano passado, que teria revelado mensagens nas quais o nome de Tania Nastri aparece. A partir desse contexto, na quinta-feira (12/02), celulares e notebooks atribuídos aos dois investigadores foram apreendidos em ação conjunta do órgão fiscalizador e da Promotoria. “Os equipamentos já foram mandados para extração para a gente conseguir ter acesso a todas as mensagens, aos arquivos, às fotos”, relatou um integrante da Corregedoria, ao descrever o objetivo de ampliar o acesso ao conteúdo e sustentar eventuais medidas adicionais.
Com o material em análise, a Corregedoria determinou não apenas o afastamento cautelar, mas também monitoramento eletrônico, restrição de contato e proibição de entrada em prédios da polícia. Os dois investigadores ainda tiveram de entregar distintivos e armas, reforçando o caráter preventivo do pacote. O conjunto de medidas desenha um recado institucional que dispensa adjetivos: a administração reconhece o risco operacional de manter investigados com acesso a rotinas, pessoas e espaços estratégicos.
As investigações seguem em andamento, e as apurações sobre eventual favorecimento ao crime organizado dependem da perícia dos dispositivos apreendidos, da análise de mensagens e do cruzamento com outros elementos já reunidos por órgãos de controle e investigação.


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