Suspeito alegou possessão espiritual ao ser abordado por agentes em frente à base da corporação no bairro Itaguaí
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| Viatura da Guarda Civil Municipal de Mongaguá com para-brisa danificado após ataque de vândalo no bairro Itaguaí. Foto: Divulgação/Prefeitura de Mongaguá. |
Na tarde desta última terça-feira (24), um episódio de vandalismo com contornos insólitos mobilizou o efetivo da Guarda Civil Municipal (GCM) de Mongaguá. Um homem foi detido em flagrante após arremessar um objeto contra o para-brisa de uma viatura oficial que estava estacionada estrategicamente — e, para o azar do autor, de forma muito visível — em frente à base da corporação, localizada no bairro Itaguaí. O caso chamou a atenção não apenas pelo dano ao patrimônio público, mas pela justificativa teológica apresentada pelo indivíduo: uma suposta influência demoníaca.
A ocorrência teve início quando uma munícipe que transitava pela calçada da unidade presenciou o ataque. Ao observar o impacto de um objeto pesado contra o vidro frontal do veículo, a testemunha alertou prontamente os guardas que estavam de plantão. Com base nas características fornecidas, a equipe realizou uma busca imediata nos arredores e localizou o suspeito a poucos metros da cena do crime.
De acordo com o relatório da equipe de abordagem, o homem, que aparentava estar em situação de vulnerabilidade social, apresentava um discurso confuso e desconexo. Ao ser questionado sobre a motivação de ter escolhido justamente um carro de polícia para o seu "alvo", ele afirmou que não agia por vontade própria, mas que estaria "possuído por demônios" no momento do ato.
As câmeras do sistema de monitoramento da própria base da GCM corroboraram o relato da testemunha e registraram o instante exato da agressão. As imagens mostram o homem golpeando o para-brisa, possivelmente utilizando uma pedra, o que resultou em uma trinca profunda no vidro, comprometendo a visibilidade e a operação do veículo.
Diante do estado mental aparente do indivíduo, os agentes o conduziram inicialmente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Agenor de Campos para uma avaliação médica, protocolo padrão em casos que envolvem surtos psicóticos ou suspeita de intoxicação. Após receber alta médica, o "possuído" foi levado ao 2º Distrito Policial de Mongaguá onde a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante pelo crime de dano qualificado.
O suspeito foi encaminhado à carceragem, onde permanece à disposição da Justiça. Ao que tudo indica, a jurisdição terrena da Baixada Santista provou ser mais rápida que qualquer intervenção espiritual, garantindo ao autor um período de reflexão em uma cela — local onde, historicamente, a presença de entidades costuma ser menos tolerada do que a de carcereiros.


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