Após terror psicológico e ameaça de estupro contra universitária por rejeição amorosa, defesa de jovem de 20 anos muda o tom e foca em manobras jurídicas
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| Prints das ameaças e o rosto do investigado estamparam as redes sociais após a denúncia que mobilizou estudantes em Santos. Foto: Reprodução. |
O pesadelo que começou em um bloco de Carnaval em Santos terminou na delegacia e agora ruma para os tribunais com um réu confesso. Yuri Guilherme Cassano, de 20 anos, o ex-calouro de Educação Física que chocou a Baixada Santista ao prometer, via aplicativo, que uma jovem seria estuprada por não corresponder às suas investidas, não tem mais como esconder o rastro de ódio que deixou no celular.
Acuado pela repercussão e pelas provas incontestáveis, o rapaz decidiu mudar a estratégia: não nega mais as palavras cruéis, mas agora tenta, por meio de seus advogados, barganhar o enquadramento do crime para não ver o sol nascer quadrado.
A obsessão doentia floresceu após a vítima, que conheceu Yuri na folia de fevereiro, decidir que não queria nada além de amizade. A recusa feriu o ego do estudante, que transformou a admiração em perseguição e baixaria. Em um grupo com outros oito calouros, o investigado despejou a ameaça definitiva: se não houvesse sexo por vontade dela, haveria pela força. O print da barbárie circulou, ganhou as ruas e mobilizou a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).
Agora, a defesa trabalha no limite do Código Penal. Com o vídeo de "pedido de desculpas" já publicado — uma tentativa de conter o incêndio que ele mesmo ateou —, o foco é convencer a Justiça de que o caso pode ser resolvido com transação penal ou, na pior das hipóteses, uma prisão domiciliar no conforto de casa.
Yuri segue sob rédea curta, vigiado por uma medida protetiva que o impede de encostar na vítima. O caso, registrado como ameaça, injúria e violência doméstica, expõe a face mais feia do machismo nas universidades santistas: aquela que não aceita o "não" e responde com a promessa do pior dos crimes.


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