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Remédio contra o Alzheimer desembarca no Brasil com promessa de frear a doença — e preço salgado

Novo medicamento aprovado para fases iniciais do Alzheimer deve chegar ao mercado em junho; tratamento mensal pode passar de R$ 11 mil

O novo medicamento contra o Alzheimer chega ao Brasil com a promessa de desacelerar a doença, mas o alto custo mensal já impõe um filtro duro antes mesmo da primeira aplicação
O novo medicamento contra o Alzheimer chega ao Brasil com a promessa de desacelerar a doença, mas o alto custo mensal já impõe um filtro duro antes mesmo da primeira aplicação. Foto: Reprodução.

O combate ao Alzheimer ganha um novo capítulo no Brasil, mas ele chega cercado de expectativa alta e de um obstáculo brutal: o preço. A partir de junho, deve começar a ser comercializado no país o lecanemabe, medicamento aprovado pela Anvisa e voltado a desacelerar a progressão da doença em pacientes nas fases iniciais.

Não se trata de cura, nem de reversão do que o Alzheimer já destruiu. O remédio entra em cena para tentar conter o avanço do problema quando ele ainda está no começo, em quadros de comprometimento cognitivo leve e demência leve associada à doença. Em outras palavras: o tempo do diagnóstico passa a pesar ainda mais.

O custo também assusta. Sem taxas e impostos, o valor mensal do tratamento foi fixado em R$ 8.108,94. Com a incidência de uma alíquota de 18%, comum na maior parte dos estados, o preço salta para R$ 11.075,62. É uma cifra pesada para um tratamento contínuo e que, na prática, coloca a inovação médica diante de uma barreira conhecida no país: ela chega, mas não chega para todos.

O lecanemabe é um medicamento biológico, produzido a partir de organismos vivos, como células e tecidos. Sua ação mira as protofibrilas de beta-amiloide, estruturas tóxicas que se acumulam no cérebro e estão ligadas à morte de neurônios. O diferencial apontado pelas fabricantes é que o medicamento atua em duas frentes: ajuda a remover parte desse material tóxico já presente no cérebro e também reduz a formação de novas placas.

Em estudo clínico com 1.795 participantes em diferentes regiões do mundo, o uso do remédio foi associado a uma redução de 27% no declínio clínico ao longo de 18 meses. O dado acende esperança, mas também reforça um recado duro: no Alzheimer, cada atraso custa caro — e, agora, o tratamento também.


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