Maior complexo portuário da América Latina virou rota de guerra contra as facções que tentam inundar a Europa com pó
![]() |
| Força policial monta guarda enquanto fumaça consome toneladas de cocaína apreendidas no cais santista. Foto: Reprodução. |
O cheiro do crime virou fumaça preta e cinzas na manhã desta quinta-feira. Em uma operação cercada de fuzis e forte esquema de segurança, a Polícia Federal jogou no fogo exatamente 1,1 tonelada de drogas interceptadas no Porto de Santos. É o ponto final de carregamentos milionários que o narcotráfico internacional tentou despachar pelos terminais do litoral paulista, mas que acabaram confiscados antes de ganhar o mar.
A destruição do entorpecente escancara o tamanho da guerra silenciosa travada no cais santista. Só no ano passado, o balanço da PF aponta um rombo violento nas finanças das facções: quase 5 toneladas de cocaína pura foram arrancadas dos contêineres. O ritmo do tráfico não para, e a vigilância também não. Neste ano, o contador da apreensão já bate na casa de 1,5 tonelada de pó recolhida na região portuária.
O golpe mais recente contra os barões do tráfico aconteceu na última segunda-feira. Os agentes federais desentocaram 48 quilos de cocaína escondidos na estrutura de um contêiner refrigerado. O destino final do veneno era o Porto de Roterdã, na Holanda, a principal porta de entrada da droga na Europa, onde o quilo do pó atinge valores astronômicos.
A audácia dos criminosos saltou aos olhos na hora do flagrante. Os tabletes de cocaína estavam acompanhados por um dispositivo eletrônico de rastreamento, do tipo AirTag. A tecnologia, usada por cidadãos comuns para não perder chaves ou malas, servia ali para os chefões do crime monitorarem o passo a passo da rota ilícita em tempo real até o Velho Continente. Não deu tempo. O plano tecnológico naufragou na fiscalização e o destino final de toda essa fortuna criminosa foi o calor infernal da fornalha.


0 Comentários